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Pregações

A Batalha de São Miguel Contra o Grande Dragão! - Padre José Augusto

Por Padre José Augusto 43:11

Resumo editorial

Quem é o grande dragão combatido por São Miguel Arcanjo? Nesta pregação, Padre José Augusto parte das Sagradas Escrituras para explicar a criação dos anjos, a rebelião de Lúcifer, o pecado da soberba e a batalha narrada no Apocalipse. A reflexão percorre Colossenses, Isaías, Ezequiel, Apocalipse e Mateus para apresentar a interpretação católica sobre São Miguel, Satanás, os anjos, o céu, o inferno e o combate espiritual.

Sobre esta mensagem

## A batalha de São Miguel contra o dragão Quem é São Miguel Arcanjo e por que a Bíblia apresenta uma batalha entre ele e o grande dragão? Padre José Augusto começa sua reflexão voltando ao princípio da criação. Segundo o sacerdote, compreender a batalha descrita no Apocalipse exige primeiro compreender quem são os anjos, por que foram criados e como a tradição cristã interpreta a rebelião de Satanás. ### As coisas visíveis e invisíveis O ponto de partida é a profissão de fé cristã: “Creio em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.” Padre José Augusto explica que a criação visível inclui aquilo que podemos perceber materialmente: seres humanos, animais, plantas, terra e tudo aquilo que faz parte do universo físico. Mas a fé cristã também afirma a existência de uma criação invisível. Recorrendo à Carta aos Colossenses, o sacerdote menciona tronos, dominações, principados e potestades. É nesse universo espiritual que estão os anjos. ### Para que os anjos foram criados? A reflexão segue para o livro do Apocalipse. Padre José Augusto recorda a visão de uma multidão diante do trono de Deus proclamando honra, glória, poder e louvor. A partir dessa passagem, apresenta uma das ideias centrais da pregação: As criaturas foram criadas para amar, reverenciar e glorificar a Deus. Segundo o sacerdote, isso vale tanto para os seres humanos quanto para os anjos. ### Se os anjos foram criados bons, de onde vieram os demônios? Essa pergunta ocupa grande parte da mensagem. Padre José Augusto afirma que, dentro da tradição cristã apresentada na pregação, os anjos não foram originalmente criados maus. Então surge a questão: Como apareceu o mal entre eles? Para desenvolver sua explicação, o sacerdote recorre a passagens de Isaías e Ezequiel tradicionalmente utilizadas em reflexões cristãs sobre a queda de Lúcifer. ### A soberba de Lúcifer Padre José Augusto identifica a soberba como elemento central da rebelião. Segundo a interpretação apresentada, uma criatura que havia sido criada para reconhecer e glorificar Deus passa a desejar para si aquilo que pertence ao Criador. Em vez de servir, deseja ocupar o lugar de Deus. O sacerdote relaciona essa atitude à tentação narrada no Gênesis, quando a serpente apresenta ao ser humano a possibilidade de ser “como Deus”. Para ele, essa mesma tentação continua presente quando o ser humano procura colocar a própria vontade acima de Deus. ### “Quem como Deus?” É então que a pregação chega a São Miguel. No capítulo 12 do Apocalipse aparece a batalha: Miguel e seus anjos combatem o dragão. Padre José Augusto identifica o dragão com Satanás, seguindo a própria linguagem do texto do Apocalipse. O sacerdote também recorda o significado tradicionalmente associado ao nome Miguel: “Quem como Deus?” Essa expressão resume o contraste apresentado na homilia. Enquanto a soberba pretende ocupar o lugar de Deus, São Miguel representa o reconhecimento de que nenhuma criatura pode se colocar acima do Criador. ### Como aconteceu essa batalha? Padre José Augusto faz uma ressalva importante. Representações artísticas frequentemente mostram São Miguel com espada combatendo fisicamente Satanás. Mas o sacerdote reconhece que não sabemos exatamente como ocorreu esse combate espiritual. As imagens ajudam a representar uma realidade que, segundo a fé cristã, pertence ao mundo espiritual. O ponto central da narrativa é a derrota e expulsão do dragão. ### Satanás pode voltar para Deus? A pregação também aborda a ideia de uma futura reconciliação de Satanás com Deus. Padre José Augusto rejeita essa interpretação. Dentro da doutrina apresentada por ele, a decisão dos anjos rebeldes é definitiva. Por isso, Satanás não retornaria posteriormente ao estado anterior. ### O combate continua A mensagem então deixa de falar apenas sobre aquilo que teria acontecido no mundo espiritual e passa para a vida do cristão. Segundo Padre José Augusto, o combate contra o mal continua na tentativa de afastar o ser humano de Deus. A batalha, portanto, também acontece nas escolhas pessoais. Quando alguém abandona aquilo que acredita ser a vontade de Deus para seguir deliberadamente o pecado, participa dessa oposição. ### Céu e inferno Na parte final, o sacerdote recorre ao capítulo 25 do Evangelho de Mateus. A passagem menciona o “fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos”. Padre José Augusto utiliza esse texto para fazer uma distinção importante dentro da reflexão: O destino desejado por Deus para o ser humano é a comunhão com Ele. O sacerdote apresenta o céu como plenitude da felicidade junto de Deus e o inferno como separação definitiva dessa felicidade. ### A pergunta central da pregação Depois de percorrer a criação dos anjos, a soberba de Lúcifer, a batalha de São Miguel e o destino dos anjos rebeldes, Padre José Augusto termina levando a discussão para uma pergunta pessoal: Quem está orientando minhas escolhas? A mensagem transforma a batalha descrita no Apocalipse em um exame da própria vida. A luta entre fidelidade e rebelião não é apresentada apenas como uma história distante. Para o sacerdote, cada pessoa precisa decidir diariamente se deseja orientar sua vida para Deus ou afastar-se Dele. É justamente nesse contexto que a devoção a São Miguel Arcanjo aparece como expressão do combate espiritual cristão.
Transcrição
A reflexão pedida para esta tarde é São Miguel e a batalha contra o dragão. Mas que batalha é essa? O que aconteceu para que São Miguel se erguesse e começasse a batalhar contra esse dragão, contra essa serpente que depois recebe o nome de Satanás e diabo? Para compreendermos tudo isso, precisamos voltar ao início de todas as coisas. Quando professamos nossa fé, dizemos: Creio em Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, das coisas visíveis e das coisas invisíveis. As coisas visíveis são tudo aquilo que vemos: o sol, a terra, as árvores, os animais e nós mesmos. Mas Deus também criou as coisas invisíveis. Na Carta aos Colossenses encontramos: Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e invisíveis, tronos, dominações, principados e potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele. Essas criaturas invisíveis foram criadas por Deus. Mas para quê? Vamos ao livro do Apocalipse. João fala de uma visão do céu e de uma multidão ao redor do trono. Eles proclamavam: Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor. Essas criaturas foram criadas para adorar, glorificar e amar a Deus. Nós também fomos criados para amar, reverenciar e adorar nosso Deus Criador. Os anjos foram criados para amar, reverenciar e glorificar a Deus. Nós também. Através de Jesus todas as coisas foram criadas. Entre essas criaturas estão aquelas que são invisíveis. Cremos na existência desses seres espirituais porque as Sagradas Escrituras falam deles. João contempla uma multidão de anjos diante de Deus. O anjo Gabriel aparece para Nossa Senhora. Também aparece para Zacarias no templo. Os anjos são criaturas espirituais. Nós possuímos uma dimensão espiritual, nossa alma, e também um corpo material. Os anjos são espirituais. Esses seres espirituais foram criados bons. Não foram criados maus. Deus criou tudo para o bem. Então surge uma pergunta: Se foram criados bons, como surgiram os anjos maus? Como aconteceu uma divisão? Se todos foram criados para adorar e glorificar a Deus, por que um deles se rebelou? Segundo a tradição apresentada pela Igreja, um desses anjos, chamado Lúcifer, rebelou-se e levou consigo outros anjos. Para compreender essa interpretação, podemos olhar algumas passagens do Antigo Testamento. Em Isaías encontramos a imagem do astro brilhante que deseja subir aos céus e elevar seu trono. Ele diz: Subirei sobre as nuvens mais altas e me tornarei semelhante ao Altíssimo. Aqui aparece a soberba. Uma criatura começa a desejar ocupar o lugar de Deus. Nós fomos criados para amar, adorar e reverenciar Deus. Mas essa criatura passa a dizer: Eu quero ser igual a Ele. Eu quero ocupar o lugar Dele. Isso é soberba. O soberbo quer ser o maior. E, nesse caso, a criatura deseja aquilo que pertence somente ao Criador. Também encontramos no livro de Ezequiel uma passagem dirigida ao rei de Tiro que a tradição cristã utilizou para refletir sobre essa queda. O texto fala de um querubim protetor, inicialmente irrepreensível, até que a iniquidade aparece. Depois diz que seu coração se encheu de orgulho por causa de sua beleza. Padre José Augusto apresenta essas passagens como uma maneira tradicional de compreender a soberba associada à queda de Lúcifer. Essa escolha teria acontecido por vontade própria. A mesma lógica aparece na tentação de Eva: A serpente diz que, se comer do fruto, ela será como Deus. Essa tentação de ocupar o lugar de Deus continua aparecendo também na humanidade. Quando a criatura chega ao ponto de querer substituir o Criador, rompe sua relação com Ele. É então que chegamos ao capítulo 12 do Apocalipse. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos combateram o dragão. O dragão e seus anjos também combateram, mas não prevaleceram. Já não havia lugar para eles no céu. O grande dragão, a antiga serpente, chamado diabo e Satanás, foi precipitado. São Miguel aparece justamente nesse combate. Seu nome é tradicionalmente compreendido como: Quem como Deus? É uma resposta à soberba. Nenhuma criatura é Deus. Nenhuma criatura pode ocupar o lugar de Deus. Não sabemos exatamente como aconteceu esse combate. Nós o representamos com imagens de São Miguel utilizando uma espada e os anjos em batalha porque precisamos de imagens para compreender uma realidade espiritual. Mas não sabemos como esse combate ocorreu em sua natureza espiritual. Sabemos, pela narrativa do Apocalipse, que houve combate e expulsão. Também precisamos compreender que, segundo a doutrina apresentada nesta pregação, os anjos rebeldes não retornarão posteriormente ao estado anterior. Satanás não se arrependerá no futuro. Sua oposição a Deus permanece. E essa oposição procura também atingir o ser humano. O mal procura fazer com que nós também deixemos de amar, reverenciar e adorar a Deus. Por isso existe o combate espiritual. Toda vez que escolhemos conscientemente aquilo que nos afasta de Deus, precisamos perceber o que está acontecendo em nossa vida. O céu é apresentado como lugar da felicidade eterna junto de Deus. No Evangelho de Mateus, quando Jesus fala do juízo final, aparece também a expressão: Ide para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos. O inferno não é apresentado como o destino para o qual o ser humano foi criado. O chamado do ser humano é estar com Deus. O céu representa a comunhão e a felicidade junto Dele. A separação de Deus representa exatamente o contrário. São Miguel Arcanjo aparece, portanto, como aquele que permanece fiel diante da rebelião. E o combate continua sendo lembrado pelos cristãos porque também precisamos enfrentar aquilo que procura nos afastar de Deus. A pergunta que fica para cada um de nós é: Estou vivendo segundo aquilo que acredito que Deus deseja ou estou escolhendo aquilo que me afasta Dele? É nesse sentido que compreendemos a batalha de São Miguel contra o grande dragão.
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