Cuidado Para Não Se Queimar no FOGO DO INFERNO Eternamente - Padre José Augusto
Resumo editorial
O inferno existe? O que Jesus quis dizer ao falar da fornalha de fogo, do choro e do ranger de dentes? Nesta forte pregação, Padre José Augusto parte da parábola do joio e do trigo para refletir sobre pecado, conversão, julgamento, inferno, misericórdia de Deus e salvação. O sacerdote alerta para o perigo de adiar a mudança de vida e convida cada cristão a examinar seriamente a própria consciência.Sobre esta mensagem
## O alerta de Jesus sobre o fim dos tempos Nesta pregação, Padre José Augusto parte da explicação de Jesus sobre a parábola do joio e do trigo. No Evangelho de Mateus, o campo representa o mundo. A boa semente representa aqueles que pertencem ao Reino, enquanto o joio representa o mal. Jesus também fala sobre o fim dos tempos, quando ocorre a separação entre o joio e o trigo. É justamente essa passagem que conduz Padre José Augusto a uma reflexão direta sobre pecado, conversão, julgamento e inferno. ### “Ali haverá choro e ranger de dentes” O sacerdote chama atenção para uma expressão particularmente forte do Evangelho: “Ali haverá choro e ranger de dentes.” Para Padre José Augusto, essas palavras não deveriam ser ignoradas ou suavizadas simplesmente porque são desconfortáveis. A mensagem é utilizada como um chamado à conversão. A questão central não é viver dominado pelo medo, mas reconhecer que nossas escolhas possuem consequências e que a vida presente não deveria ser tratada como se nunca fosse terminar. ### A história do jovem diante da lareira No início da homilia, Padre José Augusto conta a história de um missionário que recebeu um jovem que levava uma vida que o sacerdote considerava espiritualmente perigosa. Era inverno e havia uma lareira acesa. O padre pediu que o rapaz colocasse lenha no fogo e utilizou aquela situação para provocar uma reflexão: Se ele não suportava sequer aproximar a mão daquele fogo, por que continuava vivendo de uma maneira que, segundo a mensagem religiosa apresentada, poderia afastá-lo eternamente de Deus? A experiência teria levado o jovem a refletir, arrepender-se e procurar a confissão. ### Joio ou trigo? Padre José Augusto então aplica a parábola à própria vida. Ele rejeita a ideia de que pertencer a uma comunidade religiosa, exercer um ministério ou até mesmo ser sacerdote seja garantia automática de salvação. A pergunta precisa continuar existindo: Estou vivendo como trigo ou como joio? O sacerdote aplica essa pergunta inclusive a si mesmo. Segundo ele, uma pessoa pode pregar, participar da Igreja e aparentemente demonstrar uma vida religiosa enquanto interiormente permanece distante da conversão. ### Não basta parecer santo Um dos pontos mais importantes da mensagem é o alerta contra a presunção espiritual. Padre José Augusto afirma que não considera correto alguém simplesmente declarar que está definitivamente salvo enquanto deixa de examinar a própria vida. Para ele, o cristão precisa continuar buscando conversão, perseverança e misericórdia. A aparência religiosa não substitui uma mudança verdadeira de vida. ### Pecados que não queremos abandonar A pregação cita diversos exemplos de situações que, segundo a moral católica apresentada pelo sacerdote, exigem conversão. Entre elas estão falta de perdão, orgulho, relacionamentos considerados incompatíveis com a fé, pornografia e comportamentos que podem levar outras pessoas ao pecado. O ponto principal não é apenas reconhecer uma fraqueza. É decidir se existe realmente disposição para combatê-la. Padre José Augusto critica a utilização da própria fraqueza como justificativa permanente para não mudar. ### E quando levamos outra pessoa ao pecado? A homilia também apresenta uma questão particularmente séria: E se nossas próprias escolhas contribuíram para que outra pessoa entrasse em uma vida que consideramos errada? Padre José Augusto menciona situações em que alguém pode ter incentivado outra pessoa ao uso de drogas, à prostituição ou a outros comportamentos considerados pecaminosos. Nesse caso, a resposta proposta é arrependimento, penitência, reparação e oração pela pessoa prejudicada. ### Misericórdia não significa ausência de conversão Outro ponto importante é a relação entre misericórdia e mudança de vida. O sacerdote reconhece repetidamente a misericórdia de Deus. Entretanto, alerta contra utilizar essa misericórdia como argumento para permanecer conscientemente no pecado. Dentro da perspectiva apresentada na pregação, misericórdia é justamente a possibilidade de retornar enquanto ainda existe tempo. Confissão, Eucaristia, oração, jejum, penitência e vida espiritual aparecem como caminhos disponíveis para essa mudança. ### “Será que minha vida está me levando para o céu?” No final, Padre José Augusto aplica toda a mensagem a si mesmo. Mesmo depois de décadas de vida religiosa e de pregação, afirma que precisa continuar examinando a própria caminhada. O fato de outras pessoas eventualmente se converterem ouvindo suas palavras não significa automaticamente que ele próprio esteja vivendo tudo aquilo que anuncia. Para o sacerdote, conversão verdadeira também precisa de perseverança. Não é apenas a emoção produzida por uma pregação. É uma mudança que permanece com o passar do tempo. ### A pergunta que fica A parábola do joio e do trigo deixa uma pergunta desconfortável, mas central para esta pregação: Se hoje fosse o momento da colheita, como estaria minha vida? Padre José Augusto transforma a imagem bíblica da fornalha em um chamado urgente para abandonar aquilo que afasta de Deus. A mensagem final não é esperar para descobrir o que acontecerá depois da morte. É utilizar o tempo que existe agora para buscar conversão, misericórdia, reparação e uma vida orientada para Deus.Transcrição
O Senhor esteja convosco. Ele está no meio de nós.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Jesus deixou as multidões e foi para casa.
Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: explica-nos a parábola do joio.
Jesus respondeu: aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
O campo é o mundo.
A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao maligno.
O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos.
Os ceifadores são os anjos.
Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos.
O Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal.
Depois os lançarão na fornalha de fogo.
Ali haverá choro e ranger de dentes.
Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai.
Quem tem ouvidos, ouça.
Palavra da salvação. Glória a vós, Senhor.
Na França, muitos anos atrás, existia um grande missionário, um padre zeloso que se preocupava com a salvação das pessoas.
Era muito procurado.
Levaram até ele um jovem que levava uma vida errada e não queria mudar de vida.
Tudo se fazia para que aquele jovem pudesse mudar, mas ele não mudava.
Era um período próximo do Natal e, na Europa, era inverno.
Levaram esse rapaz para que o padre pudesse conversar com ele.
O padre percebeu que seria difícil convencê-lo apenas com palavras.
Mas usou de muita sabedoria.
Era uma noite de inverno e havia uma lareira diante deles.
A madeira estava acabando e precisava colocar mais lenha.
O padre pediu ao jovem que colocasse algumas madeiras no fogo.
Quando ele começou a colocar a lenha, o padre segurou sua mão e aproximou-a do calor.
O jovem imediatamente reclamou:
O senhor está querendo me queimar?
Então o padre respondeu:
Meu filho, a vida que você está levando não é justamente o caminho que você acredita poder conduzi-lo ao fogo eterno?
Se você não suporta isso aqui, pense naquilo que está fazendo com sua vida.
Quando você vai mudar?
Pense bem.
Segundo a história, naquele momento o jovem refletiu, arrependeu-se, confessou seus pecados e mudou de vida.
Comecei contando essa história porque hoje Jesus explica a parábola do joio.
O joio e o trigo crescem juntos.
Jesus diz que o campo é o mundo.
O joio representa o mal e o trigo aqueles que procuram viver segundo aquilo que Deus pede.
No final existe uma colheita.
Jesus diz que os anjos retirarão aqueles que fazem outros pecar e aqueles que praticam o mal.
Depois fala da fornalha de fogo e do choro e ranger de dentes.
É uma passagem que precisamos ter coragem de meditar.
Nós gostamos de meditar sobre o céu.
Mas também precisamos refletir seriamente sobre aquilo que Jesus está dizendo.
A vida cristã exige conversão.
Não podemos simplesmente procurar justificativas para permanecer no erro.
A misericórdia de Deus existe, mas justamente por isso temos a possibilidade de mudar enquanto existe tempo.
Precisamos olhar para nossa própria vida.
Será que aquilo que estou vivendo realmente me conduz para Deus?
Não devemos olhar apenas para os outros.
Eu também preciso fazer essa pergunta.
Porque uma pessoa pode estar dentro de uma comunidade religiosa, participar de atividades da Igreja, pregar e fazer muitas coisas e ainda assim esconder situações que precisam de conversão.
Não é porque alguém pertence a uma comunidade religiosa que automaticamente está salvo.
Também não é porque alguém é sacerdote, religioso, missionário, ministro ou pregador.
A pergunta continua:
Sou trigo ou sou joio?
Posso achar que sou trigo.
Mas preciso continuar examinando minha consciência.
Não basta parecer santo diante das outras pessoas.
É muito fácil construir uma aparência.
Deus conhece aquilo que existe por trás.
Por isso precisamos ter coragem de reservar um tempo para examinar nossa vida.
Não se veja simplesmente como santo.
Veja também aquilo que ainda precisa mudar.
Existem pecados que sabemos que precisamos abandonar.
Talvez seja orgulho.
Talvez seja falta de perdão.
Talvez sejam relacionamentos que não correspondem àquilo que acreditamos.
Talvez seja pornografia ou algum outro comportamento que alimentamos escondido.
Às vezes dizemos:
Eu sou fraco.
Eu também sou fraco.
Mas reconhecer a fraqueza não significa desistir da luta.
Temos os sacramentos.
Temos a confissão.
Temos a missa.
Temos leituras que ajudam na vida espiritual.
Temos oração.
Temos oportunidades para jejuar e fazer penitência.
Depois não podemos dizer que nunca tivemos oportunidade de mudar.
Também precisamos pensar nas pessoas que talvez tenhamos levado ao pecado.
Quantas pessoas eu posso ter influenciado negativamente?
Talvez algo que fiz na juventude tenha ensinado outra pessoa a fazer aquilo que era errado.
Talvez alguém tenha apresentado outra pessoa às drogas ou a uma vida destrutiva.
Jesus fala daqueles que fazem os outros pecarem.
O que fazer diante disso?
Penitência.
Reparação.
Pedir misericórdia a Deus.
Rezar pela pessoa.
Senhor, que aquela pessoa se salve. Que ela não se perca. Eu ajudei a colocá-la naquele caminho. Ajuda-me a reparar aquilo que fiz.
É assim que precisamos viver.
Também devemos tomar cuidado para não desanimar alguém que está tentando levar uma vida mais santa.
Às vezes uma pessoa começa a rezar mais, jejuar e mudar sua vida e imediatamente aparecem comentários:
Está rezando demais.
Para que tudo isso?
A pessoa pode acabar abandonando aquilo que estava ajudando sua conversão.
Precisamos ter responsabilidade também sobre nossa influência na vida espiritual dos outros.
No Evangelho existe uma frase muito forte:
Ali haverá choro e ranger de dentes.
Algumas pessoas preferem simplesmente ignorar essas passagens.
Dizem que Deus é bom e misericordioso e concluem que não precisam mudar.
Mas a misericórdia de Deus não deveria ser utilizada como desculpa para continuar conscientemente no pecado.
Deus não nos trata simplesmente segundo nossas faltas.
Ele oferece misericórdia.
Mas somos nós que muitas vezes não queremos mudar de vida.
E não sabemos quando estaremos diante Dele.
Por isso a conversão não deveria ser adiada.
Estou há muitos anos na Canção Nova e continuo precisando lutar pela minha própria conversão.
Não posso simplesmente dizer que tenho plena certeza do meu destino eterno.
Preciso perseverar.
O fato de alguém dizer que se converteu ouvindo uma pregação minha não significa automaticamente que eu próprio esteja vivendo aquilo que anuncio.
Também precisamos ter cuidado com conversões que existem somente no entusiasmo de um momento.
A verdadeira conversão aparece com o tempo.
É a perseverança que mostra se realmente houve mudança.
O que sei é que preciso continuar mudando minha própria vida enquanto existe tempo.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.