SÃO POUCOS os QUE ESCAPAM do INFERNO? | Padre José Augusto
Resumo editorial
“Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Padre José Augusto parte dessa pergunta feita a Jesus para abordar um dos temas mais difíceis da fé cristã: salvação e condenação. A reflexão passa pela porta estreita, pecado mortal, Missa, conversão e perseverança. Mais importante do que descobrir quantos se salvam, porém, é responder pessoalmente: como estou vivendo diante de Deus?Sobre esta mensagem
São poucos os que se salvam?
Existe uma pergunta no Evangelho que atravessou séculos e continua inquietando cristãos:
“Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?”
Nesta pregação, Padre José Augusto enfrenta diretamente esse tema e fala sobre céu, inferno, pecado, conversão e a necessidade de perseverar até o fim.
A questão é desconfortável justamente porque não permite que a salvação seja tratada apenas como uma ideia abstrata.
Ela exige outra pergunta:
Como eu estou vivendo?
O inferno existe?
Padre José Augusto começa relatando uma concelebração da qual participou.
Segundo ele, durante aquela celebração outro sacerdote afirmou que Jesus nunca havia mandado ninguém para o inferno e que a Igreja também não fazia isso.
Padre José Augusto conta que imediatamente recordou ensinamentos católicos sobre julgamento, céu, inferno e a necessidade de conversão.
Na compreensão apresentada por ele, negar completamente a possibilidade da condenação entra em conflito com aquilo que encontra nas Escrituras e no ensinamento católico.
O que a Igreja Católica ensina sobre o inferno?
Durante a reflexão, Padre José Augusto menciona o Catecismo e recorda o ensinamento católico sobre morrer em estado de pecado mortal sem arrependimento.
Ele também menciona figuras e experiências presentes na tradição católica, como Santo Agostinho, Santa Teresa de Ávila, São João Bosco e as aparições de Fátima.
O objetivo dessa introdução é preparar o terreno para a pergunta apresentada posteriormente no Evangelho:
quantos serão salvos?
Jesus morreu para salvar a humanidade
Padre José Augusto chama atenção para uma expressão recorrente no Evangelho de Lucas: Jesus está a caminho de Jerusalém.
Esse caminho conduz à Paixão e à Cruz.
O sacerdote recorda que Cristo se entrega pela salvação da humanidade.
Mas apresenta uma distinção importante: a oferta da salvação não significa, em sua reflexão, que nossas escolhas deixem de ter importância.
Para ele, existe uma resposta humana ao que Cristo realizou.
“Senhor, são poucos os que se salvam?”
É então que surge a pergunta central.
Uma pessoa pergunta a Jesus:
“Senhor, são poucos os que se salvam?”
Padre José Augusto chama atenção para o fato de que Jesus não responde apresentando uma porcentagem ou um número.
A resposta conduz para algo muito mais pessoal.
“Esforçai-vos para entrar pela porta estreita”
Jesus responde falando sobre a porta estreita.
Segundo a passagem comentada pelo sacerdote, muitos tentarão entrar e não conseguirão.
Padre José Augusto interpreta essa advertência de maneira rigorosa e a utiliza para rejeitar a ideia de que a salvação aconteceria automaticamente, independentemente da maneira como alguém vive.
A porta estreita representa uma vida que exige decisão, conversão, fidelidade e perseverança.
Ir à Missa aos domingos realmente importa?
Um dos exemplos utilizados pelo sacerdote envolve o domingo.
Padre José Augusto recorda o mandamento de guardar domingos e festas e fala da participação na Missa como parte da vida católica.
Ele reconhece situações em que uma pessoa pode estar legitimamente impossibilitada de participar, citando doenças e determinadas profissões ligadas ao cuidado da vida e à segurança.
Depois apresenta uma provocação:
quantas pessoas realmente reservam o domingo para Deus?
Olhe para sua própria família
Padre José Augusto propõe então um exercício bastante concreto.
Pense em sua família inteira.
Pais, irmãos, tios, primos, avós e demais parentes.
Quantos rezam?
Quantos procuram viver sua fé?
Quantos participam dos sacramentos?
O sacerdote utiliza essas perguntas para confrontar a ideia de que basta presumir que todos automaticamente alcançarão o céu.
Podemos simplesmente dizer que alguém está no céu?
Outro ponto forte da pregação aparece quando Padre José Augusto fala sobre funerais.
Ele critica a facilidade com que, depois da morte de alguém, pessoas afirmam imediatamente que o falecido já está no céu, independentemente da vida que levou.
Para o sacerdote, a esperança na misericórdia de Deus não deveria ser confundida com a certeza humana sobre o destino eterno de outra pessoa.
É justamente por isso que a tradição cristã mantém a oração pelos falecidos.
Ser uma “pessoa boa” é suficiente?
Padre José Augusto apresenta outra frase comum:
“Mas ele era uma pessoa muito boa.”
O sacerdote pergunta então qual conceito de bondade está sendo utilizado.
Na perspectiva apresentada na pregação, bondade não pode ser completamente separada da maneira como uma pessoa responde a Deus e conduz sua vida moral.
Esse é um dos trechos mais duros da mensagem.
Ouvir pregações não significa viver o Evangelho
A pregação chama atenção para outra possibilidade: alguém pode ouvir muitas mensagens religiosas e ainda assim não mudar de vida.
Padre José Augusto recorda a passagem em que pessoas afirmam ter ouvido Jesus, mas recebem uma resposta de rejeição.
O problema, segundo ele, é a diferença entre ouvir e viver.
Assistir a pregações, participar de encontros ou conhecer ensinamentos não substitui a conversão pessoal.
Não basta começar: é preciso perseverar
Outra advertência importante envolve aqueles que começam uma caminhada de fé com entusiasmo e depois abandonam tudo.
Padre José Augusto utiliza como exemplo pessoas que participam de grupos de oração, pastorais e movimentos, mas deixam de perseverar.
Ele recorda a afirmação de Jesus:
“Aquele que perseverar até o fim será salvo.”
A vida cristã, portanto, não seria apenas um momento de entusiasmo religioso, mas uma caminhada.
Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos Céus
A passagem comentada por Padre José Augusto também menciona Abraão, Isaac e Jacó.
O sacerdote ressalta que eles não foram pessoas incapazes de errar.
Mas foram homens que continuaram caminhando e buscando fidelidade.
Isso introduz uma diferença importante: salvação não significa nunca ter cometido um pecado.
A própria mensagem fala repetidamente sobre mudança de vida e conversão.
São Leonardo de Porto Maurício e o número dos que se salvam
Na parte final, Padre José Augusto menciona São Leonardo de Porto Maurício, franciscano conhecido por suas pregações.
Segundo o sacerdote, São Leonardo também refletia sobre o número daqueles que alcançariam a salvação.
Mas a conclusão apresentada muda completamente o foco da discussão.
A pergunta não é quantos. A pergunta é: você está entre eles?
Este é provavelmente o ponto mais importante de toda a pregação.
Podemos discutir durante horas se são muitos ou poucos os que se salvam.
Podemos olhar para a sociedade, para familiares, amigos, jovens, adultos ou idosos.
Mas Padre José Augusto termina trazendo a questão de volta para quem está ouvindo.
Você está no número dos que se salvam ou no número dos que se perdem?
Examine sua própria vida
Essa pergunta transforma uma discussão teológica em exame de consciência.
Como está sua relação com Deus?
Existe algum pecado que você sabe que precisa abandonar?
Você procura os sacramentos?
Você perdoa?
Você apenas conhece o Evangelho ou procura vivê-lo?
Começou uma caminhada de fé, mas deixou de perseverar?
A porta estreita continua aberta
A imagem da porta estreita pode parecer assustadora, mas existe um detalhe fundamental:
a porta existe.
Jesus não apresenta apenas uma advertência. Ele indica um caminho.
Por isso, a pergunta “são poucos os que se salvam?” talvez não seja a única que devemos fazer.
Existe outra, muito mais importante:
o que preciso mudar hoje para caminhar em direção a Deus?
É justamente aí que a mensagem deixa de ser apenas sobre inferno e passa a ser sobre conversão.