Vivemos em uma nova Sodoma e Gomorra? PADRE JOSÉ AUGUSTO
Resumo editorial
Jesus afirmou que Sodoma seria tratada com menos rigor do que uma cidade que rejeitasse sua mensagem. O que essa advertência significa para os dias atuais? Padre José Augusto parte de Lucas 10 para comparar a rejeição do Evangelho no tempo de Cristo com comportamentos que observa na sociedade contemporânea. A reflexão aborda conversão, família, educação, sexualidade e a responsabilidade dos cristãos diante de uma cultura cada vez mais distante dos valores que professam.Sobre esta mensagem
Vivemos em uma nova Sodoma e Gomorra?
Uma frase de Jesus no Evangelho provoca uma das reflexões mais fortes desta pregação de Padre José Augusto:
“Naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade.”
Por que Jesus faz uma comparação tão dura?
E o que a história de Sodoma e Gomorra pode dizer aos cristãos que vivem no mundo atual?
Partindo do capítulo 10 do Evangelho de São Lucas, Padre José Augusto apresenta uma mensagem sobre evangelização, rejeição à Palavra de Deus, conversão e aquilo que considera uma progressiva normalização do pecado na sociedade.
Jesus envia 72 discípulos
O Evangelho começa com Jesus escolhendo 72 discípulos e enviando-os dois a dois às cidades por onde ele próprio deveria passar.
A missão era anunciar uma notícia fundamental:
“O Reino de Deus está próximo de vós.”
Padre José Augusto explica essa proximidade do Reino a partir da própria pessoa de Jesus.
Para o sacerdote, aproximar-se de Cristo significa aproximar-se daquele destino que constitui a grande esperança cristã: estar um dia definitivamente com Deus.
“Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos”
Jesus, entretanto, não promete aos discípulos que todos receberiam alegremente sua mensagem.
Ele os envia como “cordeiros para o meio de lobos”.
Padre José Augusto interpreta essa passagem como um alerta sobre pessoas que não desejam ouvir aquilo que o Evangelho exige delas.
Segundo sua reflexão, existem situações em que alguém conhece o ensinamento cristão, mas decide conscientemente continuar vivendo de outra maneira.
O que acontece quando uma cidade rejeita a mensagem?
É justamente nesse ponto que aparece a referência a Sodoma.
Jesus orienta os discípulos sobre o que fazer quando uma cidade não os recebe e, depois, apresenta uma afirmação severa:
Sodoma seria tratada com menos rigor do que aquela cidade.
Padre José Augusto chama atenção para a gravidade dessa comparação.
Para compreendê-la, ele retorna ao livro do Gênesis e à narrativa de Sodoma e Gomorra.
O que aconteceu em Sodoma e Gomorra?
Na narrativa bíblica, Sodoma e Gomorra aparecem associadas a uma sociedade profundamente corrompida.
Padre José Augusto recorda o diálogo de Abraão com Deus e a tentativa de encontrar pessoas justas na cidade.
Abraão pergunta se a cidade seria poupada caso houvesse justos vivendo ali.
A narrativa continua até a chegada dos mensageiros à casa de Ló e os acontecimentos que antecedem a destruição da cidade.
Para o sacerdote, o ponto fundamental é que a sociedade havia chegado a um nível extremo de afastamento de Deus.
E como estão nossas cidades hoje?
Depois de recordar Sodoma e Gomorra, Padre José Augusto muda completamente a direção da pergunta.
Em vez de olhar apenas para uma cidade descrita no Antigo Testamento, ele pede que cada pessoa observe o lugar onde vive.
Como está a nossa cidade?
Onde estão as pessoas aos domingos?
O que os jovens estão aprendendo?
Quais valores nossa sociedade está tratando como normais?
A comparação apresentada pelo sacerdote é propositalmente provocativa.
A normalização do pecado
Um dos conceitos centrais da segunda metade da pregação é aquilo que Padre José Augusto descreve como normalização.
Segundo ele, determinadas mudanças culturais não acontecem de uma vez.
Uma ideia inicialmente provoca rejeição.
Depois passa a aparecer com maior frequência.
Com o tempo, deixa de provocar surpresa.
E finalmente passa a ser considerada completamente normal por grande parte da sociedade.
Na interpretação apresentada pelo sacerdote, esse processo pode fazer com que cristãos gradualmente aceitem comportamentos que anteriormente reconheciam como incompatíveis com sua fé.
Família e educação dos filhos
Padre José Augusto dirige então um alerta diretamente aos pais.
Ele pede que acompanhem aquilo que seus filhos estão aprendendo e que não terceirizem completamente a formação moral das crianças.
Durante a pregação, o sacerdote relata imagens e vídeos que afirma ter recebido ou visto envolvendo conteúdos relacionados à sexualidade e à educação.
Esses exemplos são apresentados por ele como sinais daquilo que considera uma transformação cultural mais ampla.
Independentemente desses relatos específicos, a pergunta que ele dirige aos pais é clara:
Você sabe o que seu filho está aprendendo?
O cristão também precisa observar aquilo que aprende
O alerta não é dirigido apenas às crianças.
Padre José Augusto pede que os próprios adultos examinem as ideias que estão absorvendo.
Segundo a reflexão, uma pessoa pode acreditar que continua vivendo exatamente a mesma fé enquanto, pouco a pouco, modifica aquilo que considera certo ou errado.
Por isso, discernimento ocupa uma posição central na mensagem.
Televisão e mudanças culturais
Na parte final, Padre José Augusto utiliza programas de televisão como exemplo do processo que descreve.
Segundo ele, determinadas situações inicialmente aparecem de maneira discreta, depois passam a ser mostradas mais explicitamente e, finalmente, deixam de causar estranhamento.
O sacerdote interpreta esse processo como uma forma de formação cultural.
Na visão apresentada na pregação, aquilo que consumimos repetidamente também influencia nossa percepção sobre o que é normal.
Sodoma e Gomorra nos tempos atuais?
É nesse contexto que Padre José Augusto apresenta sua conclusão mais forte:
“Essa é a Sodoma e Gomorra dos tempos atuais.”
A afirmação não é apresentada simplesmente como uma comparação entre cidades.
Ela funciona como um alerta espiritual.
Na perspectiva do sacerdote, uma sociedade começa a se parecer com Sodoma quando se afasta progressivamente de Deus e deixa de reconhecer como pecado aquilo que a fé cristã ensina ser contrário à vontade divina.
Mas qual deve ser a resposta do cristão?
O Evangelho proclamado no início da celebração oferece uma resposta importante.
Jesus envia seus discípulos.
Ou seja: diante de um mundo que não conhece ou rejeita sua mensagem, a primeira missão do cristão não é simplesmente observar.
É evangelizar.
Padre José Augusto lembra que existem pessoas que não desejarão ouvir. Ainda assim, a Boa Nova precisa ser anunciada.
“O Reino de Deus está próximo”
Apesar da dureza de vários momentos da pregação, a mensagem começa com uma notícia de esperança.
O Reino de Deus está próximo.
Para a fé cristã, a finalidade da conversão não é simplesmente fugir de uma punição.
É chegar àquilo que Padre José Augusto recorda no começo da homilia:
um dia contemplar Deus e viver com Ele para sempre.
Por isso, a comparação com Sodoma e Gomorra acaba produzindo uma pergunta pessoal.
Não apenas:
“Como está o mundo?”
Mas também:
“Como estou vivendo diante de Deus?”
Essa é a reflexão que permanece depois da pregação.