Um tribunal de Israel prorrogou por mais seis d
Um tribunal de Israel prorrogou por mais seis dias a prisão de dois ativistas detidos a bordo de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza, interceptada por forças israelenses em águas internacionais perto da Grécia.
Saif Abu Keshek, cidadão espanhol, e o brasileiro Thiago Ávila foram detidos pelas autoridades israelenses na quarta-feira (29) e levados para Israel, enquanto mais de 100 outros ativistas pró-Palestina que estavam nos barcos foram levados para a ilha grega de Creta.
A prisão de Abu Keshek e Ávila havia sido inicialmente prorrogada até esta terça-feira (5), mas o Tribunal de Magistrados de Ashkelon a estendeu novamente até 10 de maio.
Os ativistas faziam parte da segunda Flotilha Global Sumud, lançada numa tentativa de romper o bloqueio israelense a Gaza, entregando ajuda humanitária. Os navios partiram de Barcelona em 12 de abril.
Documentos judiciais mostram que Israel acusa Abu Keshek e Ávila de crimes como auxílio ao inimigo, contato com um agente estrangeiro e uma organização terrorista, atividade proibida envolvendo um componente terrorista e fornecimento de meios a uma organização terrorista.
"Estou convencido de que há suspeita razoável", concluiu o juiz Yaniv Ben-Haroush após ouvir os argumentos das partes ao conceder a prorrogação.
Os advogados do grupo de direitos humanos Adalah argumentaram durante a audiência que as alegações eram infundadas e que não havia fundamentos legais para a manutenção da detenção dos dois homens.
Eles afirmaram que nenhuma acusação formal foi apresentada e que a detenção se dava para fins de interrogatório contínuo.
A defesa disse que apelaria da decisão e exigiria a libertação imediata e incondicional de Abu Keshek e Ávila. A organização também afirmou que os homens foram torturados sob custódia - acusação rejeitada por Israel.
A esposa de Abu Keshek, Sally Issa, disse à agência de notícias Reuters nesta terça-feira (5) que não tinha permissão para falar diretamente com o marido desde sua detenção, dependendo, em vez disso, de informações do cônsul espanhol e de seus advogados.
"Disseram-nos que ele está bem. Ele está em greve de fome", afirmou Issa. "Mas ele está bem. Ele sofreu tortura no barco quando foi atacado pelos israelenses."
Israel estende prisão preventiva de ativista brasileiro da flotilha de Gaza | AGORA CNN
Espanha pede libertação
O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que Abu Keshek e Ávila têm ligações com o grupo militante palestino Hamas e que a flotilha "é mais uma provocação destinada a desviar a atenção da recusa do Hamas em desarmar-se".
Um porta-voz do ministério negou as "alegações falsas e infundadas" de tortura.
"Após a violenta obstrução física por parte de Saif Abu Keshek e Thiago Ávila contra funcionários israelenses, estes foram obrigados a agir para impedir essas ações. Todas as medidas tomadas estavam de acordo com a lei", declarou o porta-voz.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albarés, exigiu a libertação imediata de Abu Keshek, afirmando que não havia provas que o ligassem ao Hamas.
Albarés disse ter informado pessoalmente seu homólogo israelense, Gideon Saar, que a detenção dos ativistas é ilegal, pois Israel não tem jurisdição em águas internacionais.
A esposa de Ávila, Lara Souza, disse que seu marido estava no sexto dia de greve de fome e sendo monitorado por médicos. "Ele está melhor dos ferimentos, mas ainda está muito fraco, e a embaixada está muito preocupada com isso", declarou ela.
Devido às greves de fome, o tribunal ordenou que o Serviço Penitenciário de Israel monitorasse a condição médica dos detidos.
Fonte: CNN