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Pregações

MUITO CUIDADO COM AS INFLUÊNCIAS DESSE MUNDO - Padre José Augusto

Por Padre José Augusto 27:10

Resumo editorial

Como as influências do mundo podem enfraquecer a vida espiritual? Partindo do exemplo de São João Batista, Padre José Augusto alerta para o risco de o cristão cuidar intensamente da saúde, aparência, carreira e vida material enquanto negligencia oração, confissão, penitência e crescimento espiritual. A pregação também aborda secularização, redes sociais, vocação e a necessidade de existir uma diferença concreta entre uma vida orientada pela fé e uma vida puramente material.

Sobre esta mensagem

## Você cuida do corpo, mas como está sua alma? Nesta pregação, Padre José Augusto parte da solenidade de São João Batista para fazer um alerta sobre as influências do mundo contemporâneo na vida dos cristãos. O Evangelho apresenta João Batista como alguém que crescia e se fortalecia em espírito. É justamente essa expressão que conduz a reflexão. ### São João Batista e a força espiritual Padre José Augusto recorda a imagem bíblica de João Batista como um homem penitente, vestido de maneira simples e dedicado à missão recebida de Deus. Sua preocupação era a conversão. João chamava as pessoas a produzirem frutos de mudança de vida e a se prepararem espiritualmente para a chegada do Senhor. A partir desse exemplo, o sacerdote apresenta uma pergunta: Estamos nos fortalecendo espiritualmente? ### Como está sua saúde espiritual? Padre José Augusto observa que é comum alguém perguntar sobre saúde, alimentação, exercícios e exames médicos. Mas seria muito menos comum perguntar: Como está sua oração? Você tem se confessado? Tem feito penitência? Tem lido as Sagradas Escrituras? Tem buscado direção espiritual? O sacerdote deixa claro que não considera errado cuidar da saúde física. O problema, segundo sua reflexão, aparece quando praticamente toda a atenção é dedicada ao corpo enquanto a vida espiritual é negligenciada. ### As influências do mundo A pregação alerta que o cristão vive dentro de uma sociedade secularizada e materialista. Mídia, redes sociais, livros, publicidade e cultura podem transmitir constantemente valores relacionados a dinheiro, aparência, sucesso e realização material. Segundo Padre José Augusto, existe o risco de o próprio cristão começar a pensar exatamente da mesma maneira. A linguagem do mundo passa gradualmente a ocupar o espaço da linguagem da fé. ### Academia, médico e oração O sacerdote apresenta uma comparação provocativa. Muitas pessoas fazem grandes sacrifícios para acordar cedo e ir à academia, realizar exames ou cuidar da saúde. Entretanto, podem não demonstrar a mesma disposição para rezar, procurar a confissão ou reservar tempo para a vida espiritual. Para ele, não se trata de escolher entre saúde física e espiritual. Trata-se de recuperar o equilíbrio. ### Psicologia e direção espiritual Padre José Augusto também aborda a relação entre acompanhamento psicológico e direção espiritual. Ele afirma que existem situações que realmente necessitam de terapia e outras que pertencem ao campo espiritual. O próprio sacerdote relata encaminhar pessoas para psicólogos quando percebe questões que exigem acompanhamento profissional. Da mesma forma, menciona profissionais que reconhecem quando determinada questão ultrapassa sua área e recomendam acompanhamento espiritual. A crítica apresentada é contra transformar toda experiência humana exclusivamente em questão psicológica ou, no extremo oposto, tratar todo problema como exclusivamente espiritual. ### O cristão precisa ser diferente? Voltando ao exemplo de João Batista, Padre José Augusto destaca que sua maneira de viver chamava atenção justamente porque era diferente. Isso conduz a outra pergunta central da homilia: É possível perceber alguma diferença entre a vida de quem afirma seguir Cristo e a vida de quem não possui essa fé? Segundo o sacerdote, quando linguagem, prioridades, comportamentos e valores se tornam completamente iguais aos do ambiente secular, o testemunho cristão perde força. ### Radicalidade e vocação A reflexão também alcança sacerdotes, seminaristas, religiosos e comunidades. Padre José Augusto relata experiências pessoais de sua formação sacerdotal, quando foi questionado por rezar muito, jejuar e demonstrar entusiasmo pelas coisas de Deus. Ele conta que essas críticas chegaram a fazê-lo pensar em desistir. Sua decisão, entretanto, foi continuar buscando aquilo que acreditava ser sua vocação. Para o sacerdote, uma pessoa que entra em uma comunidade religiosa buscando santidade precisa encontrar um ambiente que favoreça essa busca. Caso encontre exatamente a mesma mentalidade que pretendia deixar para trás, poderá perder o sentido da própria vocação. ### Qual influência está conduzindo sua vida? A mensagem final é um chamado ao exame pessoal. Cuidar do corpo é importante. Buscar ajuda psicológica quando necessária é importante. Trabalhar, estudar e cuidar da vida material também são responsabilidades legítimas. Mas, dentro da perspectiva cristã apresentada na pregação, nada disso deveria eliminar a preocupação com a alma. A pergunta deixada por Padre José Augusto é: Enquanto você fortalece seu corpo e organiza sua vida neste mundo, também está fortalecendo sua vida espiritual?
Transcrição
Está no meio de nós. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. Glória a vós, Senhor. Completou-se o tempo da gravidez de Isabel e ela deu à luz um filho. Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso para com Isabel e alegraram-se com ela. No oitavo dia foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: não, ele vai chamar-se João. Os outros disseram que não existia nenhum parente com esse nome. Então fizeram sinais ao pai, perguntando como queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha e escreveu: João é o seu nome. Todos ficaram admirados. No mesmo instante, a boca de Zacarias se abriu, sua língua se soltou e ele começou a louvar a Deus. Todos os vizinhos ficaram com medo e a notícia espalhou-se por toda a região montanhosa da Judeia. Todos os que ouviam a notícia ficavam pensando: que virá a ser este menino? De fato, a mão do Senhor estava com ele. O menino crescia e se fortalecia em espírito. Ele vivia nos lugares desertos até o dia em que se apresentou publicamente em Israel. Palavra da salvação. Glória a vós, Senhor. Hoje, com muita alegria, celebramos não simplesmente uma memória ou uma festa, mas a solenidade de São João Batista. Dentro da liturgia, quando se celebra uma solenidade, rezamos o Glória e o Creio. A Igreja coloca um destaque muito importante nessa celebração. Jesus faz um grande elogio a João Batista, dizendo que entre os nascidos de mulher não houve ninguém igual a ele. E existe algo importante no nascimento de João Batista que quero trazer para nosso crescimento espiritual. A mão de Deus estava sobre ele e o menino crescia e se fortalecia em espírito. É interessante que quem apresenta João Batista é Lucas, um médico que era pagão e se converteu. Por inspiração divina escreveu o Evangelho que conhecemos como Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. Esse médico fala que João Batista se fortalecia em espírito. Depois vemos João se apresentando vestido com pele de camelo, alimentando-se de mel silvestre, como um homem penitente. As pessoas ficavam impressionadas. Muitos iam até ele confessar seus pecados. João Batista dizia que precisavam produzir frutos de conversão e mudança de vida. Era um homem penitente que também chamava os ouvintes à penitência. Sua preocupação era com a salvação das pessoas. Queria que estivessem preparadas diante de Deus. Hoje, quando as pessoas me encontram, frequentemente perguntam: Padre José Augusto, como está sua saúde? Tem comido direitinho? Tem feito caminhada? Mas não vejo tantas pessoas perguntando: Padre, como está sua saúde espiritual? O senhor tem se confessado? Tem feito penitência? Tem rezado? Tem buscado direção espiritual? Tem lido as Sagradas Escrituras? Tem lido a vida dos santos? Tem se aprofundado na espiritualidade? No mundo secularizado, existe uma preocupação muito grande com esta vida. Fazer exercício físico, comer corretamente, ir ao médico e realizar exames são coisas importantes. Não estou dizendo que não devemos fazer isso. Estou dizendo que também precisamos nos preocupar com nossa saúde espiritual. Você está fortalecendo sua alma? Talvez esteja fortalecendo somente o corpo. Nós vivemos em um mundo secularizado e materialista. Os valores desse mundo podem nos influenciar pela mídia, pelas redes sociais, pelos livros e por muitas outras formas. Esse ambiente fala constantemente sobre ter dinheiro, possuir coisas, cuidar do corpo e buscar realizações materiais. Essa influência pode entrar também na vida cristã. Em vez de se preocupar também com sua salvação, a pessoa passa a concentrar sua preocupação principalmente na vida material. Vemos cristãos fazendo muitos sacrifícios para possuir uma boa saúde. Se precisarem acordar cedo para ir à academia, acordam. Procuram o médico e fazem exames. Mas muitas vezes não demonstram a mesma preocupação em procurar ajuda para saber como está sua vida espiritual. As pessoas deveriam procurar também orientação espiritual, avaliar como está sua oração, sua penitência e seu jejum. Quando a linguagem do cristão se torna completamente igual à linguagem do mundo, alguma coisa precisa ser examinada. Observe aquilo que aparece em nossas próprias confissões: Não rezei. Não tive tempo para fazer meu momento com Deus. Não tive tempo para ler as Sagradas Escrituras. Não tive tempo para uma leitura espiritual. Mas talvez tenha existido tempo para muitas outras coisas. Nossa preocupação maior deveria incluir estar preparados para o encontro com Cristo. Não estou dizendo que a pessoa não deva buscar terapia. Existem coisas que precisam de terapia e existem coisas que precisam de direção espiritual. Muitas vezes atendo pessoas e digo que precisam procurar um psicólogo porque existem questões que necessitam de acompanhamento profissional. Também conheço psicólogos que reconhecem quando uma questão pertence ao campo espiritual e recomendam que a pessoa procure um sacerdote. Precisamos de equilíbrio. Quando João Batista se apresenta, causa impacto. Quem é esse homem com roupa de camelo, comendo mel silvestre e vivendo daquela maneira? Era diferente. E aí surge uma pergunta para nós: Existe alguma diferença perceptível entre quem diz pertencer a Deus e quem vive sem essa preocupação? Uma pessoa certa vez me perguntou onde estava a diferença. Ela dizia não conseguir enxergar diferença entre algumas pessoas que diziam ser de Deus e aquelas que não eram. Entravam na igreja do mesmo jeito, utilizavam a mesma linguagem e viviam de maneira semelhante. Onde está a diferença? Tem que existir alguma diferença. Entre mim, que sou padre, e alguém que não vive essa mesma vocação, deve ser possível perceber alguma diferença na maneira de viver. Os jovens muitas vezes se entusiasmam com a radicalidade porque encontram algo diferente. Quando não existe essa diferença, perde-se o estímulo. Isso pode gerar problemas vocacionais dentro das comunidades e congregações. Eu mesmo fui muito questionado quando entrei no seminário por causa da vida que queria levar. Diziam que eu rezava demais. Questionavam por que eu fazia jejum. Certa vez voltei muito feliz de uma missa e comentei como aquela celebração tinha sido maravilhosa. Meu formador respondeu perguntando se tudo para mim era Jesus e se eu não tinha outra coisa para falar. Aquilo me atingiu profundamente. Fui para o quarto e chorei. Perguntei a Jesus: se vim aqui para ser padre, buscar santidade e procurar ser santo, por que uma autoridade está me questionando justamente por isso? Deu vontade de largar tudo. Mas decidi continuar. Se vim buscar a Deus, vou continuar me entusiasmando com as coisas de Deus. Vou continuar me fortalecendo. Vou para a capela rezar. Na hora do trabalho, vou trabalhar. Na hora de obedecer, vou obedecer. Mas também vou procurar oração e confissão. É assim que a vida espiritual se fortalece. Se um jovem entra numa comunidade religiosa, congregação ou nova comunidade para buscar santidade, levar o Evangelho e dar testemunho, mas encontra ali uma vida sem diferença daquilo que existe fora, poderá chegar o momento em que decidirá ir embora. Se aqui não consigo buscar a santidade, vou buscá-la lá fora. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
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