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EUA e Irã assinam pré-acordo pelo fim da guerra, diz agência
Estados Unidos e Irã, que estavam em guerra desde o fim de fevereiro, anunciaram no fim de semana que chegaram a um acordo para encerrar o conflito.
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O anúncio não significa, porém, o fim automático da guerra. O acordo prevê, inicialmente um cessar-fogo - ou seja, uma trégua nos ataques, e não o fim definitivo deles.
Esse cessar-fogo duraria enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. Outras questões, como a navegação no Estreito de Ormuz e a compensação financeira do Irã, não estão completamente esclarecidas até o momento.
A íntegra do acordo será conhecida na sexta-feira (19), quando haverá uma cerimônia para assinatura do documento em Genebra, na Suíça.
Veja, abaixo, as questões ainda em aberto do acordo:
Programa nuclear iraniano
Esse é o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto. O acordo que será assinado na sexta-feira prevê, segundo Teerã, que negociadores dos dois lados chegarão a um consenso em um prazo de até 60 dias.
O governo Trump quer que Irã encerre por completo seu programa nuclear, que Washington diz servir para criar armas nucleares - este foi, inclusive, o principal argumento de Trump para atacar o Irã em 28 de fevereiro, dando início à guerra.
Trump disse que sua equipe de negociadores exigiu que uma equipe independente entre no Irã e escave todo o material nuclear e envie o urânio já enriquecido em território iraniano para fora do país, possivelmente para a Rússia, que já se ofereceu para receber o material.
Teerã, no entanto, nega e diz que o programa é usado exclusivamente para fins civis.
O tema é espinhoso, e Washington e Teerã estão longe de um consenso.
Estreito de Ormuz
Europa celebra acordo entre EUA e Irã, mas faz alerta sobre armas nucleares
Reprodução/TV Globo
Tanto Washington quanto Teerã disseram que o Estreito de Ormuz, que se tornou o grande ponto de tensão da guerra, será reaberto de forma imediata.
Da mesma forma, Donald Trump afirmou já ter ordenado o levantamento do bloqueio naval que navios da Marinha dos EUA fazem na entrada do estreito, impedindo a passagem de navios que comercializem com portos iranianos na região.
Mas o consenso termina por aí: na segunda-feira (15), Trump disse inclusive que o tráfego de navios no canal já havia começado a se mexer após o anúncio. Mas o Irã, que controla, na prática, a movimentação de navios em Ormuz, não confirmou.
O Ministério da Defesa do Irã também anunciou que passará a cobrar uma "taxa de serviço" aos navios que cruzarem o estreito, apesar de Donald Trump ter afirmado que o acordo proíbe a instauração de um pedágio no tráfego local de embarcações.
Além disso, o Irã posicionou minas navais no estreito como forma de controlar a passagem - a localização dos artefatos é desconhecida, porém, até por Teerã.
Uma varredura completa para desativar todos os explosivos poderia demorar até 50 dias. Antes disso, por imposição das seguradoras e operadoras de cargas marítimas, a navegação no estreito ainda seria inviável.
Sanções ao Irã e compensação financeira
Entre as exigências publicadas pelo Irã para o fim do conflito, está a suspensão das sanções sobre a venda de petróleo, produtos petroquímicos e derivados, e acesso total do Irã aos seus recursos financeiros que se encontram congelados.
Os EUA concordaram em relaxar e aliviar as sanções econômicas, mas de forma gradativa e condicionada ao cumprimento do acordo.
O objetivo de Teerã é conseguir restabelecer a exportação de petróleo para recuperar sua economia severamente castigada por mais de três meses de conflito.
O Irã também quer que EUA e aliados apresentem um plano de reconstrução para o país no valor de pelo menos US$ 300 bilhões, a título de compensação dos estragos provocados pela guerra. Washington não fez comentários a esse respeito.
Conflito e ocupação no Líbano
Este é um dos pontos onde há menos consenso, pelo menos entre Israel e as outras partes.
O anúncio oficial do acordo feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, destacou que o encerramento permanente das operações militares inclui a frente no Líbano.
O fim dos ataques de Israel em território libanês é inclusive uma exigência direta de Teerã para assinar o acordo. Isso porque o Irã é aliado e financia o Hezbollah, alvo dos ataques de Israel no Líbano. O grupo terrorista atacou o território israelense dias após o início do conflito, a título de retaliação, quando EUA e Israel bombardearam o Irã.
Na segunda-feira, Benjamin Netanyahu disseque suas tropas permanecerão nas "zonas de segurança", espaços ocupados por Israel dentro do território libanês, "até que seja necessário".
Não se sabe se o acordo prevê alguma concessão militar israelense em relação às tropas estacionadas no país vizinho.
Fonte: G1
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