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Bruce Campbell revela sua batalha de 40 anos contra a censura britânica que proibiu "The Evil Dead"

Nos anos 1980, enquanto os Estados Unidos enfrentavam a chamada "Satanic Panic", uma onda de medo moral que rapidamente chegou ao Reino Unido, o país viu surgir um fenômeno conhecido como "video nasty" - uma histeria em...

Veiculo: CifraNET 3 min de leitura
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Nos anos 1980, enquanto os Estados Unidos enfrentavam a chamada "Satanic Panic", uma onda de medo moral que rapidamente chegou ao Reino Unido, o país viu surgir um fenômeno conhecido como "video nasty" - uma histeria em torno de vídeos considerados perigosos e imorais. Nesse contexto, Bruce Campbell, ator principal do clássico cult do horror "The Evil Dead" (1981), protagonizou uma longa e amarga disputa com os censores britânicos, que consideraram o filme excessivamente violento e perturbador.

A controvérsia começou quando Mary Whitehouse, uma conservadora ferrenha e fundadora da National Viewers and Listeners Association, liderou campanhas para banir filmes de horror e exploração que julgava prejudiciais, especialmente no formato VHS, que escapava de algumas regras de censura aplicadas ao cinema tradicional. Essa brecha permitia que títulos controversos, como "The Evil Dead", fossem vendidos sem classificação indicativa, tornando-os facilmente acessíveis ao público.

Sam Raimi, diretor do filme, tinha apenas 20 anos quando criou a obra, que trazia imagens intensas de gore e violência, mas com um tom de diversão e criatividade. No entanto, para figuras como Whitehouse, essas cenas eram vistas como corruptoras e repulsivas. Quando o filme chegou aos cinemas britânicos, o British Board of Film Classification (BBFC) cortou 49 segundos para permitir sua exibição. Mas a situação piorou com a implementação do Video Recordings Act de 1984, uma resposta direta à pressão dos conservadores, que estabeleceu um sistema rigoroso de classificação para vídeos domésticos e deu ao BBFC o poder de cortar ou banir filmes.

Apesar do sucesso inicial da versão cinematográfica no mercado de vídeo, "The Evil Dead" foi proibido sob a nova lei e rotulado como um dos infames "video nasties". O BBFC demorou a decidir seu destino, impondo cortes adicionais antes que o filme pudesse finalmente ser lançado em VHS no Reino Unido, somente em 1990. A versão original, sem cortes, só foi disponibilizada ao público uma década depois, em 2000, exatamente como Raimi havia idealizado.

Bruce Campbell, que interpretou o icônico Ash Williams, expressou publicamente sua frustração com o tratamento dado ao filme pela censura britânica. Em uma declaração contundente no Twitter, ele criticou o sistema da época como "draconiano e míope", acrescentando que o banimento prolongado só aumentou o interesse pelo filme, que acabou se tornando o vídeo mais vendido no Reino Unido quando finalmente liberado. "Obrigado por nada", ironizou o ator.

O impacto dessa batalha vai além do simples lançamento do filme: "The Evil Dead" se consolidou como um marco do gênero splatter horror e um dos mais influentes filmes independentes de terror, gerando várias sequências e spin-offs. A censura britânica, ao tentar sufocar a obra, acabou subestimando seu valor cultural e sua capacidade de revolucionar o cinema de horror.

Hoje, a história dessa disputa reflete não apenas uma luta pela liberdade artística, mas também o poder que a censura pode exercer sobre a recepção e o legado de um filme. Bruce Campbell e Sam Raimi provaram que, apesar das barreiras, uma obra inovadora pode conquistar seu espaço e se tornar um ícone duradouro.

Bruce Campbell - Actor - 2025
Credit: Joe Peacock


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