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Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar operava em alta nesta quinta-feira (18), com um avanço de 1,48% perto das 13h30, cotado a R$ 5,1832. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,1897. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inverteu o sinal e operava em queda de 0,22% no mesmo horário, aos 168.085 pontos.
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▶ O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual (p.p.), em linha com o esperado pelo mercado. Já o Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio aos sinais de preços ainda elevados no país.
A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país (entenda mais abaixo).
▶ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também fica no radar. O tratado, assinado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, já está em vigor. O texto inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano, entre outros pontos.
Em meio à expectativa de normalização no mercado de petróleo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a commodity operava em queda. Perto das 13h30, o barril do Brent caía 2,19%, a US$ 77,81 o barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, recuava 2,46%, a US$ 74,90.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Dólar
a
Acumulado da semana: +0,90%;
Acumulado do mês: +1,29%;
Acumulado do ano: -6,94%.
Ibovespa
Acumulado da semana: -1,73%;
Acumulado do mês: -3,23%;
Acumulado do ano: +4,38%.
Juros na mira
Brasil
O Copom do Banco Central (BC) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime pelo comitê e veio em linha com o esperado pelo mercado.
Na decisão, o colegiado afirmou que o "ambiente externo permanece incerto", em meio às incertezas que ainda circundam o acordo de paz no Oriente Médio e aos efeitos do conflito.
"Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz a nota do BC.
Já em relação ao cenário econômico brasileiro, o BC afirmou que os indicadores apontam para uma aceleração da atividade econômica e um mercado de trabalho ainda aquecido, o que já começa a se refletir nos preços.
"Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura", afirmou o Copom.
Segundo analistas da XP Investimentos, a decisão do BC indicou que pode não haver mais espaço para cortes de juros neste ano.
"Ainda assim, o Copom manteve aberta a possibilidade de novos ajustes. Nosso cenário-base antecipa um ajuste final em agosto de 0,25 p.p., o que deixaria a taxa Selic em 14,00% até (pelo menos) o 1º trimestre de 2027. Mas, considerando a deterioração recente do cenário de inflação, uma pausa nos atuais 14,25% também parece bastante provável", afirmaram em relatório.
EUA
Já nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira reunião da gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a presidência do Fed.
➡ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo - inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança.
➡ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo - incluindo o real - e a bolsa de valores brasileira tende a cair.
➡ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia.
Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado "gráfico de pontos" ("dot plot") - movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo.
"O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões", afirma Flores.
Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões.
Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. "A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas", diz.
Acordo de paz entre EUA e Irã
Outro destaque fica com o acordo de paz entre os EUA e o Irã. Os dois países assinaram um memorando de entendimento na última quarta-feira (17). (acompanhe os principais acontecimentos)
O texto tem 14 pontos e inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o Irã e uma compensação financeira ao governo iraniano. Além disso, abre um período de 60 dias para que os dois países negociem a questão nuclear.
Com a assinatura do memorando, Estados Unidos e Irã se comprometem a conduzir negociações para alcançar um acordo definitivo em até 60 dias, com prazo prorrogável mediante consentimento mútuo.
O governo suíço anunciou nesta quinta-feira (18) que EUA, Irã, Paquistão e Catar se reunirão na sexta (19) em Bürgenstock, na Suíça, para iniciar as negociações sobre a implementação do acordo de paz. O encontro, que antes serviria para assinar o memorando, chegou a ficar incerto após a assinatura ter sido antecipada.
Esse, no entanto, ainda não é o acordo final, que só será alcançado após novas negociações entre EUA e Irã para tratar da questão nuclear. Ele deverá ser ratificado por meio de uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.
Enquanto se aguarda o acordo definitivo, EUA e Irã concordam em manter o status quo: o Irã manterá seu programa nuclear, e os EUA não vão impor novas sanções e nem mobilizarão forças militares adicionais no Oriente Médio.
Entenda quais os próximos passos
Mercados globais
Nos EUA, os principais índices de Wall Street operavam em alta, conforme investidores avaliavam a decisão de juros do Fed e o acordo para o fim do conflito no Oriente Médio.
Perto das 13h30, o Dow Jones tinha alta de 0,36% e o S&P 500 subia 0,96%, enquanto o Nasdaq Composite tinha ganhos de 1,45%.
Na Europa, os mercados acionários operavam mistos. Entre os principais índices, o alemão DAX subia 0,37% perto das 13h30, enquanto o francês CAC-40 tinha alta de 0,44% e o britânico FTSE 100 caía 1,04%.
Já na Ásia, os índices fecharam mistos nesta quinta-feira, após a agência reguladora do mercado de valores da China indicar que apoia a inovação. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,21%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, perdeu 0,43%. Já o Hang Seng teve queda de 1,59%.
No Japão, o Nikkei subiu 1,65%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 2,25%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar atinge a segunda maior cotação da história: R$ 5,86
Reprodução/TV Globo
Fonte: G1
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