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A proposta pelo fim da escala 6×1, que determinará uma jornada de 40 horas semanais, prevê um período de transição de um ano. Para o setor de incorporação imobiliária, no entanto, esse prazo é considerado absolutamente insuficiente.
Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), foi categórico ao avaliar a proposta. "Um ano não é o suficiente", afirmou.
Segundo ele, os empreendimentos do setor levam de 36 a 48 meses para serem concluídos, e os preços já estão contratados com os compradores.
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Impacto nos preços dos imóveis
França citou um estudo realizado pela empresa Econite, formada por professores da FGV (Fundação Getulio Vargas), que aponta um aumento de 5,5% no preço dos imóveis como consequência da mudança.
Para ele, esse percentual é significativo, pois a maioria dos brasileiros adquire imóveis por meio de financiamento
Toque agora.
"Quando você aumenta o preço do imóvel, você tira um certo número de pessoas que não têm mais capacidade de comprar esse imóvel", explicou.
O estudo estima que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderiam ser excluídas do mercado imobiliário.
Além do encarecimento, França alertou para dois cenários possíveis diante da redução da jornada de trabalho: a dilatação dos prazos de entrega das obras ou o aumento dos custos com mão de obra - ou até ambos simultaneamente.
"Se eu dilato o prazo, eu vou ter aumento de custo, porque a maioria das obras é financiada. Quando eu dilato o prazo, eu tenho que pagar mais juros enquanto não acabo aquela obra", explicou.
Da mesma forma, a contratação de mais trabalhadores para compensar a redução de horas também geraria custos adicionais.
Setor defende prazo mínimo de 60 meses
Diante do calendário apresentado - que na prática totaliza cerca de 14 meses, considerando os 60 dias iniciais antes da primeira redução de carga horária -, a Abrainc defende um período de transição de no mínimo 60 meses.
"No mínimo, 60 meses de transição seria algo plausível para que a gente possa fazer a transição", disse França.
Ele também defendeu maior liberdade de negociação entre contratantes e contratados no que se refere às horas extras, de modo a manter o ritmo necessário nos canteiros de obra e minimizar os custos adicionais.
França mencionou ainda um impacto operacional específico em grandes cidades como São Paulo. Segundo ele, o setor costuma programar a concretagem das lajes para os sábados, justamente para evitar o trânsito intenso durante a semana.
Com a mudança de escala para cinco dias de trabalho por dois de folga, essa logística seria comprometida, gerando reflexos até no tráfego urbano.
Estratégia do setor é a negociação
Questionado sobre a estratégia jurídica e legislativa da entidade frente à proposta, França afirmou que a prioridade é a negociação. Ele revelou que, no dia seguinte ao anúncio, diversas entidades do setor se reuniriam com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) para tratar do assunto.
"A primeira coisa que nós vamos tentar é uma negociação, sem dúvida nenhuma, antes de tomar qualquer medida drástica", afirmou.
França disse ainda que o setor pretende seguir o mesmo caminho adotado durante a reforma tributária, buscando o diálogo com o governo, a Câmara e o Senado antes de cogitar qualquer medida mais extrema.
Estudo: fim da escala 6×1 pode reduzir PIB, renda, empregos e empresas
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Fonte: CNN
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