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Pacientes com Ebola fogem de hospital após ataques na RD Congo

Os médicos que atuam na linha de frente do combate ao Ebola na República Democrática do Congo, que já enfrentam escassez de suprimentos básicos, agora precisam lidar com ataques às instalações de saúde e com a fuga de pa...

Publicado em 25/05/2026 5 min de leitura
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Pacientes com Ebola fogem de hospital após ataques na RD Congo
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Os médicos que atuam na linha de frente do combate ao Ebola na República Democrática do Congo, que já enfrentam escassez de suprimentos básicos, agora precisam lidar com ataques às instalações de saúde e com a fuga de pacientes, à medida que o vírus se espalha rapidamente.


Pelo menos três incidentes desse tipo ocorreram na província de Ituri, no nordeste do país, onde foram relatados os primeiros casos de Ebola, incluindo dois no fim de semana que tiveram como alvo o mesmo hospital e permitiram que mais de duas dezenas de pacientes fugissem.


Os ataques relembram a violência generalizada contra instalações de saúde durante um surto ocorrido entre 2018 e 2020 no leste da RD Congo, que matou mais de 25 profissionais de saúde.

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Alguns foram perpetrados por civis revoltados por não poderem enterrar seus entes queridos ou convencidos de que o surto era uma farsa.


A movimentação de dinheiro e mão de obra em uma área que se sentia negligenciada durante décadas de conflito e crise humanitária alimentou as suspeitas locais sobre os verdadeiros motivos do súbito aumento de interesse.


Uma dinâmica semelhante parece estar ocorrendo agora, disse o doutor Richard Lokodu, diretor médico do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, que foi atacado primeiro no sábado (23) e novamente no domingo (24).

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Richard Lokodu, diretor médico do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, fala à Reuters sobre ataques contra instalações de saúde em meio ao surto de Ebola na RD Congo. - Reuters
"Há negação da doença dentro da população, com alguns moradores querendo reivindicar os corpos de casos suspeitos e/ou confirmados", disse ele.


A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou o surto da rara cepa Bundibugyo do vírus Ebola, o terceiro maior surto desse tipo já registrado, como uma emergência de saúde pública de interesse internacional.


O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse no domingo que houve mais de 900 casos suspeitos no surto até o momento, incluindo 101 casos confirmados.


Surto de Ebola: Risco de pandemia é baixo, diz médica | AGORA CNN


Nesta segunda-feira, Tedros afirmou que houve 220 mortes suspeitas no atual surto de Ebola e que o atraso na detecção dos casos significa que as equipes de resposta agora estão "correndo atrás do prejuízo".


Um paciente com suspeita de Ebola morreu ao tentar fugir
No Hospital Geral de Mongbwalu, localizado na cidade de Mongbwalu, onde muitos casos foram relatados, 18 pacientes com Ebola fugiram, no sábado (23), depois que "indivíduos não identificados" incendiaram tendas erguidas pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, onde os pacientes estavam sendo isolados.


Fachada do hospital geral de Mongbwalu, na RD Congo, que foi alvo de ataques em meio ao surto de Ebola no país. - Reuters
Quatro resultados de exames laboratoriais desses pacientes já foram divulgados: três negativos e um positivo, afirmou o doutor Lokodu.


"Portanto, temos um caso confirmado de Ebola que continua circulando na comunidade e escapando das medidas de resposta", disse.


No domingo (24), o hospital sofreu quatro ondas de ataques por parte de jovens mobilizados por parentes de um líder religioso cristão que morreu de Ebola, acrescentou o médico.


Segundo ele, outros sete pacientes fugiram e a polícia e os soldados congoleses tiveram que se mobilizar para restabelecer a ordem.


Tendas erguidas pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras foram incendiadas durante ataque ao Hospital Geral de Mongbwalu, na RD Congo, em meio ao surto de Ebola no país. - Reuters
Um paciente com suspeita de Ebola, que estava em estado crítico com hemorragia, morreu no segundo ataque enquanto tentava fugir da cama, acrescentou Lokodu.


Os autores dos ataques queriam que os corpos das vítimas do Ebola fossem liberados para o sepultamento, disse Lokodu.


Os corpos das vítimas do Ebola são altamente infecciosos após a morte, e enterros inseguros - nos quais os familiares tocam o corpo sem o equipamento de proteção adequado - são um dos principais fatores de transmissão.


Longo histórico de ataques a centros de tratamento de Ebola
Durante o surto de ebola de 2013 a 2016 na África Ocidental, o maior já registrado, os profissionais de saúde enfrentaram diversos ataques de multidões enfurecidas, algumas das quais os acusaram de espalhar o vírus.


Mas o fenômeno explodiu durante o surto de 2018 a 2020 no leste do Congo, uma região marcada pela insegurança desenfreada e pela desconfiança nas autoridades formais.


Além de manifestações espontâneas de raiva por parte das comunidades locais, muitos ataques foram realizados por grupos de milícias que buscavam explorar o surto para obter ganhos políticos e financeiros, constataram os pesquisadores.


Agentes de saúde de Mongbwalu atendem a população em meio ao surto de Ebola na RD Congo. - Reuters
Acredita-se que o surto atual tenha se originado em Ituri, antes de se espalhar para as províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul - incluindo áreas sob o controle dos rebeldes do M23, apoiados por Ruanda - e através da fronteira para o país vizinho, Uganda.


Nesta segunda-feira, Uganda relatou mais dois casos confirmados de Ebola, elevando o número total de casos no país para sete.


O que sabemos sobre o surto de Ebola que a OMS declarou emergência global


 


Fonte: CNN

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