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A morte de cinco mergulhadores italianos nas Maldivas neste mês chamou a atenção da comunidade internacional e levantou questionamentos sobre o risco desse tipo de exploração no arquipélago.
O acidente aconteceu no Atol de Vaavu, no centro do país, enquanto o grupo explorava estruturas subaquáticas a cerca de 60 metros de profundidade. Um dos resgatistas também morreu durante as operações de busca pelos corpos dos turistas.
A caverna em questão atinge cerca de 70 metros de profundidade e tem até 200 metros de comprimento.
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Um vídeo de 2014 mostra mergulhadores explorando a caverna subaquática onde os italianos morreram nas Maldivas (assista no topo da matéria).
Em entrevista à CNN Brasil, Vladimir Tochilov, responsável pela gravação, explicou que tomou conhecimento da existência de uma caverna profunda na área do Atol de Vaavu por volta de 2005, através de guias de mergulho locais.
Por muitos anos, a estrutura permaneceu praticamente inexplorada, tendo em vista que a logística envolvida em mergulhos complexos na área era mais difícil na época - incluindo o transporte de equipamentos e o suporte às operações.
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"É importante também entender que as Maldivas, em geral, não são conhecidas por mergulho em cavernas. Sistemas de cavernas subaquáticas verdadeiros são praticamente inexistentes por lá. Essa é uma das razões pelas quais este local despertou genuíno interesse exploratório", afirmou Tochilov.
"Escuridão quase completa"
Anos depois, os mergulhadores descobriram que a caverna continuava muito além da chamada "zona visível" - em que ainda há luz natural.
"A seção mais profunda contém várias pequenas câmaras arredondadas, curtas passagens laterais e um corredor estreito que leva a uma segunda câmara. Algumas seções são relativamente espaçosas, enquanto outras se tornam significativamente mais restritas", relatou o mergulhador à CNN Brasil.
"Dentro da caverna, há escuridão quase completa. Além da zona de entrada, a luz natural desaparece muito rapidamente e os mergulhadores tornam-se totalmente dependentes de iluminação artificial, procedimentos de navegação e coordenação da equipe", comentou Tochilov.
A visibilidade no local pode diminuir "instantaneamente" e ser reduzida a quase zero caso haja algum tipo de perturbação nos sedimentos no fundo, como, por exemplo, uma das nadadeiras acabar batendo na estrutura sem querer.
"Após explorarmos as principais seções da caverna e entendermos que se tratava de um ambiente genuinamente complexo, com riscos significativos devido à sua profundidade e teto, removemos deliberadamente parte das diretrizes que havíamos instalado durante os mergulhos de exploração", concluiu.
Vídeo de 2014 mostra exploração de caverna onde mergulhadores italianos morreram nas Maldivas - Neva Divers/Vladimir Tochilov
No vídeo divulgado pela Neva Divers, empresa de Vladimir Tochilov, o nome da caverna também foi alterado para não incentivar que mergulhadores inexperientes fossem ao local.
Mesmo com o ambiente complexo e perigoso, a caverna abriga uma variedade surpreendente de vida marinha, nas palavras do mergulhador.
"Durante diferentes mergulhos, encontramos tubarões-de-recife, tubarões-lixa e, ocasionalmente, arraias muito grandes descansando no local. Também observamos belos nudibrânquios, incluindo o famoso Bailarino Espanhol, bem como búzios coloridos e outras criaturas noturnas do recife", disse.
"Apesar da natureza árida e técnica do ambiente, a própria caverna muitas vezes parecia calma e quase surreal", acrescentou.
Preparação cuidadosa e equipamentos especializados
O mergulho em cavernas subaquáticas complexas, como a do Atol de Vaavu, exige treinamento especializado e uma preparação cuidadosa, com equipamentos especializados, planejamento para a utilização dos gases respiratórios e de descompressão.
O especialista destacou à reportagem que o aspecto psicológico é igualmente importante.
"Mesmo mergulhadores experientes podem sofrer estresse significativo nesse tipo de ambiente confinado, onde não há possibilidade imediata de ascender diretamente à superfície em caso de problema", destacou.
O grupo de italianos tinha permissão para mergulhar a uma profundidade superior aos 30 metros permitidos para mergulho recreativo nas Maldivas, disseram as autoridades locais. Não está claro se eles foram mais fundo do que o planejado, ou se possuíam o equipamento adequado para a expedição.
Fonte: CNN
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