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Uma pesquisa revelou que a intensificação das mudanças climáticas e do ciclo hidrológico na Bacia Amazônica está gerando consequências desproporcionais para as planícies de inundação, conhecidas como várzeas, o que pode prejudicar a vida da população ribeirinha, que vive nessas regiões.
O estudo, divulgado pela revista científica Environmental Research Letters, mostrou que a amplitude das variações de fluxo do Rio Amazonas aumentou desde 1970, resultando em cheias e secas muito mais severas.
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O "efeito multiplicador" nas várzeas
O estudo analisou o Baixo Amazonas entre 1970 e 2023, e descobriu que, a partir de 2005, ano marcado por uma quebra na série temporal devido a inundações extremas, o fluxo máximo de água no Rio Amazonas cresceu 8,7%.
No entanto, o fluxo de água nas planícies de inundação adjacentes, como a de Curuai, saltou 68% no mesmo período.
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De acordo com a pesquisa, isso significa que o fluxo de água nas várzeas cresce a uma taxa relativa 13 vezes maior do que a do próprio rio.
Durante grandes cheias recentes, a correnteza passando por dentro das comunidades e florestas alagadas chegou a atingir 40 mil m³/s, um volume grande que se equipara à vazão média do Rio Congo, o segundo maior rio do mundo.
O estudo aponta que, devido à geometria plana e rasa dessas áreas, o volume adicional não está expandindo muito as áreas alagadas (que cresceram apenas cerca de 13,5%), mas sim acelerando o movimento da água e aumentando sua profundidade.
Impactos na vida ribeirinha
Segundo a pesquisa, as comunidades já têm relatado as consequências desse aumento vertiginoso no fluxo de água.
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Inundações extremas e mais violentas prejudicam diretamente a agricultura familiar, desestruturam os calendários de plantio e ameaçam a saúde pública local, embora em alguns casos específicos possam temporariamente facilitar o transporte fluvial e a oferta de peixes.
Além disso, a força das águas tem modificado a própria geografia onde essas pessoas vivem e o aumento drástico no fluxo intensifica a erosão fluvial e o transporte de sedimentos.
Cheias dos rios impactam cidades do Amazonas | AGORA CNN
Em Curuai, por exemplo, o armazenamento de sedimentos suspensos quase triplicou entre as décadas de 1995-2004 e 2005-2014, o que pode formar bancos de areia maiores e mais altos, reconfigurando completamente a topografia da várzea.
Essa nova estrutura topográfica e o prolongamento do tempo das cheias ameaçam a vegetação nativa, que é finamente adaptada a frequências e durações específicas de inundação. Segundo o estudo, a quebra desse equilíbrio ecológico coloca em risco toda a oferta de recursos naturais da qual os ribeirinhos dependem.
Alerta para o futuro
O cenário é particularmente preocupante para as planícies mais rasas localizadas na região do Baixo Amazonas, como Curuai e Monte Alegre, que tendem a sofrer um aumento de fluxo ainda mais intenso com a elevação do nível das águas.
Diante de eventos extremos cada vez mais frequentes, os pesquisadores alertam para a necessidade de novos estudos e políticas públicas focadas especificamente em mitigar os impactos nas populações e nos ecossistemas das várzeas amazônicas, que se mostram desproporcionalmente mais expostos às mudanças ambientais em curso.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
Fonte: CNN
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