Thiara Palmieri, 43, não tem medo de transições
Thiara Palmieri, 43, não tem medo de transições de carreira. Depois de fazer sucesso nos anos 2000 como uma das apresentadoras da TV Globinho e também como atriz, na pele de Amanda na temporada 2006 de "Malhação", ela foi para os bastidores trabalhar com produção de TV, curtiu a maternidade cuidando do filho Heitor, 16, e especializou-se em Neurocomunicação, fundando uma empresa para ajudar empreendedores a se comunicarem melhor.
Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, Thiara relembra como foi o período de infância e adolescência sob os holofotes, os olhares que enfrentou ao decidir se dedicar a ser mãe em tempo integral e como percebeu que poderia ser útil disponibilizando seu conhecimento em comunicação.
"Eu fiz quatro transições de carreira: comecei a trabalhar com artes cênicas aos seis anos, com publicidade nos anos 1990. Com 15 anos eu comecei a estudar teatro, me profissionalizei aos 18, fui trabalhar na Globo, apresentando a TV Globinho. Depois fui para 'Malhação'. Conheci há 18 anos a pessoa que é o meu marido até hoje (Leonardo Santana), e começamos a namorar. Nós nos casamos e eu tomei a decisão, assim que engravidei, de passar um tempo me dedicando exclusivamente à minha família e ao meu filho. Fiquei durante quatro anos em tempo integral com ele, que hoje tem 16 anos", conta.
Thiara Palmieri (de vestido rosa) ao lado de José Loreto e do elenco da temporada 2006 de "Malhação" - Reprodução/Globo
Atrás das câmeras, ela se no canal Entertainment Television eu cuidava de toda a parte de programação da TV. "Entrei como roteirista, saí como diretora de programação". Foi uma fase muito interessante. Depois trabalhei um tempo na Record, mas não era feliz. Eu tinha passado bastante tempo com o meu filho, cuidando integralmente dele. Quando voltei para a TV, eu trabalhava às vezes 12, 14 horas por dia e percebi que o meu propósito enquanto família, mãe, ele estava em segundo plano naquele momento e esse não era o meu objetivo, nunca tinha sido.
Na época, a dedicação à maternidade gerou certa estranheza. "Eu fui bastante questionada por muitas pessoas, outras tantas me apoiaram e entenderam a minha decisão. Eu estava muito cansada, trabalhei dos 6 aos 26 anos de forma ininterrupta, é muito cansativo. E era uma profissão que você sai de uma produção e não sabe se você vai entrar numa próxima, é muito difícil ter uma linearidade. Nesse aspecto foi muito bom porque eu consegui relaxar, descansar e cuidar do meu filho, curtir a primeira infância com ele sendo extremamente calorosa e e dedicada".
Thiara Palmieri com o filho Heitor aos 5 e aos 16 anos - Arquivo Pessoal
No canal Entertainment Television, Thiara cuidou da programação da TV, entrando como roteirista e saindo como diretora de programação". "Depois trabalhei um tempo na Record, mas não era feliz. Eu tinha passado bastante tempo com o meu filho, cuidando integralmente dele. Quando voltei para a TV, eu trabalhava às vezes 12, 14 horas por dia e percebi que o meu propósito enquanto família, mãe, estava em segundo plano naquele momento. E esse não era o meu objetivo, nunca tinha sido", confessa.
Ela decidiu então estudar roteiro, escrita criativa, direção, para poder fazer uma nova transição para a área corporativa. A família se mudou para Indaiatuba (SP) e Thiara passou a aproveitar o portifólio de representante comercial do marido para apresentar seus conhecimentos a empresas da região - a diretoria de uma delas a convidou para uma vaga com carteira assinada. "Ser CLT é bom para vários aspectos da vida da pessoa: a organização mental de ter horário para entrar, cumprir com uma tarefa e executar uma tarefa de maneira rotineira, isso me fez muito bem".
O apoio em casa foi fundamental. "Meu marido disse: 'o máximo que pode acontecer é você não gostar e você voltar para casa, e tá tudo bem, não tem problema nenhum nisso'. Aceitei essa proposta e eu fui trabalhar numa multinacional francesa, numa indústria química que não tinha nada a ver com uma pessoa que saiu do universo das artes. Entrei como coordenadora e em três meses, assumi a gerência dessa empresa e eu fiquei lá durante seis anos".
Thiara Palmieri se dedica à comunicação corporativa atualmente - Reprodução/Instagram
Ali, percebeu que a comunicação poderia ser seu diferencial. "Eu conseguia me comunicar de maneira efetiva. Pegava todo o conhecimento que tinha desde criança, quando vendia coisas de maneira roteirizada, e percebi que eu entendia de produto. Pegava algo que era complexo, extremamente técnico e transformava numa conversa fácil para as pessoas entenderem. Fiz uma carreira de bastante sucesso, com um cargo executivo importante em vendas e marketing dentro dessa companhia e comecei a treinar os meus pares para que eles também se desenvolvessem nesse lugar e se transformassem, além de técnicos, em pessoas que conseguem se conectar. Foi uma fase muito feliz".
A chancela a encorajou a cursar uma pós-graduação em Neurocomunicação e criar a Comunica-Thi, na qual é mentora de comunicação e oratória, atendendo profissionais liberais e do universo corporativo que precisam se comunicar melhor. "Ajudo as pessoas para que tenham mais leveza na contação de histórias e que não fiquem constrangidas de se colocar, de pedir para o outro esperar porque ainda não terminou de falar.
"Eu nunca tive medo de me jogar e de ser feliz na oportunidade que a vida me entregasse. Nas quatro transições de carreira eu fui absolutamente feliz e tive sucesso. Entendi o meu lugar no mundo. Esse se tornou o propósito da minha vida: fazer com que as pessoas compreendam a grandiosidade e beleza que é você conseguir se comunicar de maneira efetiva. A boa comunicação te leva a lugares inimagináveis", comemora.
Reconhecimento
Vira e mexe, ela ainda é reconhecida por quem cresceu vendo o programa infantil ou a novela adolescente. "Eu brinco que eu a Globo é o melhor e pior ex-marido, porque ela deixa uma marca profunda em você, principalmente para quem para quem transitou nesse lugar entre os anos 1990, os anos 2000 e e é bastante interessante. Outro dia no aeroporto comecei a conversar com uma mãe que estava com a filha e ela, 'nossa, eu te conheço de algum lugar'. Perguntei a idade, ela disse, '34', falei: 'então eu sei de onde você me conhece, da TV Globinho ou de Malhação'. A pessoa diz 'não acredito, você fez parte da minha infância/adolescência".
Lembranças
Thiara guarda boas recordações do tempo em frente às câmeras . "A gente morava todo mundo no mesmo prédio, a Globo pagava.Então vivíamo meio que em uma comunidade, sabe Era bem legal. Foi um período muito importante de amadurecimento das nossas vidas. Eu fui muito feliz e sou muito grata, tenho grandes amigos até hoje que fazem parte da Globo. A minha decisão foi exclusivamente porque eu realmente queria ficar com a minha família e, depois de um tempo, naturalmente a vida foi se deslocando desse lugar das artes".
Ela não descarta voltar a atuar. "Eu nunca me afastei. Dentro da minha comunidade de fé, eu ainda escrevo roteiros de peça de teatro para as crianças. Virou um hobby que eu sou completamente apaixonada". Mas e voltar para frente das câmeras? "A depender do que a vida me entregar, a gente está aí para trabalhar. Eu nunca digo nunca. Se uma oportunidade interessante estiver dentro da minha missão, visão, valor e fizer sentido para mim, com certeza. Posso dizer que eu estou no auge da minha carreira e da minha vida profissional e tem sido uma delícia descobrir que eu posso ser muitas coisas".
Fonte: CNN