Réu pela morte da esposa e detido no Presídio M
Réu pela morte da esposa e detido no Presídio Militar Romão Gomes, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto passará por julgamento do Conselho de Justificação, que será conduzido por três coronéis da Polícia Militar de São Paulo. A condenação pode implicar na perda de posto e patente do oficial.
Geraldo está preso desde o dia 18 de março, após a conclusão do inquérito policial que investiga a morte da soldado Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça em fevereiro deste ano. A Justiça Estadual decretou a prisão preventiva do oficial pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
De acordo com a Justiça, os elementos juntados até o momento apontam possíveis modificações na cena do crime, que teriam sido realizadas com o objetivo de ocultar o feminicídio em investigação.
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Como funciona o Conselho de Justificação
Previsto no Regimento Interno do TJMSP (Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo), o Conselho de Justificação é um procedimento judicial de natureza especial, responsável por analisar a dignidade e moralidade do oficial para exercer a função dentro da corporação.
São considerados feitos judiciais especiais:
- Processos de conselho de justificação
- Representação para declaração de indignidade/incompatibilidade
- Representação para perda de graduação
Após essa fase, conforme previsto no Art. 28 do Regimento Interno, o relator irá elaborar um relatório escrito nos casos de Conselho de Justificação, Representação para Declaração Indignidade/Incompatibilidade, Representação para Perda de Graduação, Apelação Criminal, Embargos Infringentes, Revisão Criminal, Apelação Cível e Ação Rescisória.
Na sequência os autos seguirão ao revisor, que os encaminhará ao presidente da sessão, para inclusão em pauta de julgamento.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto será julgado pelos coronéis Adalberto Gil Lima Mendonça, comandante do policiamento em Guarulhos e outros municípios da região, Carlos Alexandre Marques, chefe do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), e Marisa de Oliveira, comandante do policiamento na zona Leste de São Paulo.
O Conselho de Justificação tem o prazo de 30 dias - podendo ser prorrogado por mais 20 -, para assegurar o direito de defesa do réu e, poderá ainda, decidir se o acusado terá absolvição ou sugerir sanções, como a perda da patente.
A decisão final, no entanto, cabe ao Tribunal de Justiça Militar, que possui a competência para determinar a perda do posto e da patente de oficiais e da graduação de praças militares que tenham sido condenados, independentemente da natureza do crime cometido.
Prisão
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã de quarta-feira (18), em sua residência em São José dos Campos, interior de São Paulo, após a Polícia Civil solicitar o pedido de prisão preventiva.
O inquérito policial que investiga a morte da soldado Gisele Alves Santana foi concluído na terça-feira, 17 de março, e foi representado à Justiça Estadual para a decretação da prisão preventiva do oficial pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Na decisão da Justiça Militar, obtida pela reportagem, é indicado que os elementos juntados até o momento apontam eventuais modificações na cena do crime, que teriam sido realizadas com o objetivo de ocultar o crime de feminicídio em investigação.
Já na quinta-feira, 19 de março, a Justiça Comum expediu um novo mandado de prisão para o tenente-coronel. Ele passou por audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda e retornou ao presídio Romão Gomes.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
Fonte: CNN