Relatório aponta Corinthians entre os clubes mais endividados do país
- Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão
Um levantamento divulgado pela consultoria Convocados, em parceria com a Galapagos Capital e a Outfield, revelou que o Corinthians encerrou 2025 com a terceira maior dívida líquida do futebol brasileiro. O estudo, que analisa os principais indicadores econômicos dos clubes nacionais, destaca o aumento do endividamento alvinegro, a redução na capacidade de geração de caixa e os desafios para manter a competitividade financeira nos próximos anos.
De acordo com o relatório, a dívida líquida do Corinthians atingiu R$ 2,466 bilhões. O valor representa um crescimento de R$ 123 milhões em relação ao levantamento anterior, quando o passivo era de R$ 2,343 bilhões. Com isso, o clube aparece atrás apenas de Atlético-MG e Botafogo entre os maiores devedores do país.
Foto: Victor Lannes/Agência Corinthians
O estudo aponta que os três clubes concentram parcela significativa de todo o endividamento da Série A do Campeonato Brasileiro. Mesmo deixando de ocupar a primeira posição nesse ranking, o Corinthians segue em um cenário considerado preocupante pelos analistas, especialmente pela dificuldade em reduzir suas obrigações financeiras de maneira consistente.
Apesar do aumento da dívida, o relatório identificou uma diminuição nas despesas financeiras do clube. Os gastos relacionados a juros, empréstimos e encargos passaram de R$ 368,6 milhões para R$ 276 milhões. Ainda assim, o Timão continua entre as equipes que mais desembolsam recursos para custear compromissos financeiros.
Outro dado destacado é o crescimento da folha salarial. Os custos com pessoal chegaram a R$ 571 milhões no período analisado, colocando o Corinthians entre os clubes com maior investimento em salários no país. Apenas Palmeiras e Flamengo registraram números superiores.
Mesmo com o aumento nominal, o relatório ressalta que a proporção entre gastos com pessoal e receitas permaneceu dentro de um patamar considerado administrável. Segundo o estudo, a folha representa cerca de 39% do faturamento total da instituição.
Na área de receitas, o Corinthians apresentou retração após registrar arrecadação recorde no período anterior. O faturamento caiu de mais de R$ 1,1 bilhão para R$ 987 milhões em 2025. O desempenho contrasta com o crescimento observado em outros clubes da elite nacional, que ampliaram receitas através de patrocínios, premiações e negociações de atletas.
Os direitos de transmissão e premiações responderam por R$ 305 milhões das receitas corinthianas, enquanto as atividades comerciais geraram R$ 332 milhões. O relatório também aponta que as vendas de jogadores tiveram participação menor no orçamento quando comparadas a temporadas anteriores.
Um dos principais pontos de atenção identificados pelos especialistas está relacionado ao EBITDA, indicador utilizado para medir a capacidade operacional de geração de caixa. O Corinthians registrou queda expressiva nesse índice, passando de R$ 338 milhões para R$ 74 milhões.
Na avaliação dos responsáveis pelo estudo, a redução impacta diretamente a capacidade do clube de investir, quitar compromissos financeiros e absorver custos extraordinários. A menor participação das negociações de atletas nas receitas é apontada como uma das principais causas para a diminuição da geração de caixa.
Além dos números financeiros, o relatório também avaliou a eficiência esportiva dos clubes brasileiros. Nesse quesito, o Corinthians apareceu abaixo do esperado para uma equipe que possui uma das maiores receitas e folhas salariais do país.
Segundo a análise, os resultados obtidos em campo não acompanharam o nível de investimento realizado. No cruzamento entre desempenho esportivo e capacidade financeira, o clube ficou distante das equipes consideradas mais eficientes do futebol nacional.
O levantamento também simulou um cenário de aplicação de regras rígidas de Fair Play Financeiro, semelhantes às adotadas em algumas ligas internacionais. Nessa projeção, o Corinthians não atenderia a todos os critérios exigidos.
Entre os fatores apontados estão o elevado endividamento, a queda na geração de caixa, o nível de alavancagem financeira e questionamentos apresentados por auditores independentes em demonstrações contábeis recentes.
Na conclusão do relatório, os especialistas destacam que a força da torcida, o potencial de arrecadação e a capacidade comercial continuam sendo ativos importantes do Corinthians. Entretanto, o estudo reforça a necessidade de medidas voltadas ao equilíbrio financeiro, controle das dívidas e aumento da geração de receitas para garantir maior estabilidade econômica nos próximos anos.
As contas referentes ao exercício de 2025 foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo do clube. Com isso, a atual gestão evitou possíveis sanções estatutárias relacionadas à reprovação das demonstrações financeiras.
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Fonte: Central do Timao