Quem é Palermo, chefe do PCC que sequestrou avião e tem pena de 126 anos
Gerson Palermo, preso pela Polícia Federal na Bolívia na manhã desta terça-feira (26), é um traficante apontado como um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital). O acusado acumula quase 126 anos de condenação a prisão, mas estava foragido desde 2020.
Entre os principais delitos de Palermo, estão o sequestro do Boeing 727 da antiga Vasp, em agosto de 2000. Na ocasião, o avião de grande porte saiu do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba e foi sequestrado cerca de 20 minutos após a decolagem.
O avião foi forçado a pousar em Porecatu (PR), quando o grupo roubou malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão por esse crime.
Palermo e o tráfico internacional
Quase duas décadas depois, em 2017, Palermo foi alvo da Operação All In contra um esquema de tráfico internacional de drogas. O homem foi apontado como líder da organização criminosa.
Segundo a investigação, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS) e depois era levada em caminhões para outros estados, seguindo a rota do tráfico. Por tráfico e associação para o tráfico, Palermo foi condenado a mais 59 anos de prisão. Ao todo, as penas somam quase 126 anos.
Tornozeleira e ligação com desembargador
Gerson Palermo estava foragido desde 2020, quando recebeu benefício de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
Desembargador é punido pelo CNJ após soltar chefe do PCC condenado a 126 anos | CNN NOVO DIA
No entanto, no mesmo dia em que foi solto, ele rompeu o aparelho eletrônico e fugiu do Brasil. Após a fuga, foi integrado à lista de procurados do Ministério da Justiça.
A fuga do traficante era investigada por uma possível ligação com o desembargador Divoncir Maran, de Mato Grosso do Sul. O magistrado é citado em suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Maran deferiu um pedido para soltura do traficante Gerson Palermo, em 2020, do presídio federal de Campo Grande (MS). Mesmo com as condenações, o traficante foi solto pelo plantão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Mensagens encontradas nos celulares de assessores do gabinete incrementam o inquérito da PF que a sentença foi vendida. O habeas corpus, com 208 páginas, foi decidido em 40 minutos.
Mensagens encontradas
A prisão domiciliar foi concedida durante a pandemia de Covid-19. Na época, o desembargador autorizou que o preso cumprisse pena em casa, sob a justificativa de problemas de saúde. Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), porém, não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada.
"Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover", diz uma mensagem encontrada pela PF. Em outra, uma assessora diz: "foi determinação do desembargador".
O caso foi analisado em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e o desembargador recebeu a punição de aposentadoria compulsória do CNJ em março deste ano.
O STF (Supremo Tribunal Federal) julga nesta semana o fim da aposentadoria compulsória de magistrados. Será nesta terça-feira (26), analisado pela Primeira Turma da Corte.
Em março, Dino decidiu que não existe mais a aposentadoria compulsória como "punição" a magistrados e que infrações graves desses servidores públicos devem ser punidas com perda do cargo. A defesa do desembargado ainda não foi localizada pela CNN Brasil.
A reportagem também tenta localizar a defesa de Palermo. O espaço segue aberto.
Fonte: CNN