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Por que os grandes festivais brasileiros ignoram o reggae?

Por Equipe Editorial CifraNET · · 5 min de leitura
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Por que os grandes festivais brasileiros ignoram o reggae?

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Foto por Fernanda Lima

Se você é fã de música brasileira, provavelmente já se pegou olhando o line-up de um grande festival, seja Rock in Rio, The Town ou Lollapalooza, e sentiu aquela falta clássica: onde foi parar o reggae?

A dúvida é recorrente entre o público desses eventos. E olha que o motivo não é falta de matéria-prima. O Brasil tem uma cena historicamente rica, com nomes fundamentais que arrastam multidões, dialogam com a contracultura, lotam casas de show e carregam mensagens de peso social e político. Ainda assim, nos megafestivais, o espaço destinado ao reggae beira o zero. O mais curioso é que essa exclusão não acontece apenas nos palcos principais. Nem mesmo nos espaços alternativos, geralmente criados para ampliar a diversidade sonora, costumam abrir espaço para representantes desse universo musical.

O Brasil possui uma das linhagens mais importantes do reggae fora da Jamaica. De Edson Gomes a nomes históricos como Tribo de Jah, passando por AlmaDjem, Mato Seco, Edu Ribeiro, Armandinho, Maskavo, Ponto de Equilíbrio, Maneva, Planta e Raiz, além do Natiruts, que encerrou suas atividades recentemente deixando um legado inestimável para a música brasileira, o reggae construiu uma trajetória sólida, diversa e profundamente conectada ao público.

Essa força também se manifesta em uma nova geração de artistas que mantém a cena em constante renovação, como Julies, Gabriel Elias, João Beydoun, Marina Peralta, Layla Arruda e Victor Sena, entre tantos outros. Somam-se a eles dezenas de projetos independentes e potências regionais que mantêm a cultura reggae viva de Norte a Sul do país, provando que relevância, público e renovação nunca foram um problema para essa cena musical.

Enquanto festivais plurais abrem espaço para gêneros que vão do trap à MPB, o reggae costuma ser tratado como um corpo estranho ou relegado a nichos muito específicos.

A (pouca) presença do reggae nos festivais brasileiros

Alguns movimentos recentes mostram que o público está ávido por essa energia. O Coala Festival, conhecido por sua curadoria atenta à brasilidade, escalou o Cidade Negra em 2025 para uma apresentação antológica que foi amplamente aprovada pela crítica e pelo público, embora a iniciativa não tenha encontrado continuidade na edição seguinte.

No circuito dos megafestivais, o Lollapalooza deste ano abriu espaço para o veterano Edson Gomes. Embora o horário tenha coincidido com a apresentação da estrela pop americana Sabrina Carpenter no palco principal, o que acabou dividindo o público, uma pequena legião de fãs fiéis compareceu para cantar em coro os clássicos de mais de cinco décadas de carreira do ícone do reggae nacional.

No entanto, a exceção não virou regra. O line-up da edição de 2027, recém anunciado, reforça esse apagão ao não trazer nenhum nome do gênero. Talvez os festivais realizados fora dos grandes centros, com o João Rock como principal exemplo, sejam a grande exceção nesse cenário. O evento se destaca por manter um olhar consistente para o reggae e por incluir regularmente nomes de peso da cena nacional em sua programação.

Por outro lado, eventos como o Rock in Rio já abriram portas e investiram pesado em dezenas de vertentes, passando do rock tradicional ao pop global, além da eletrônica e do rap, mas o reggae jamaicano e suas vertentes nacionais continuam batendo na trave, aparecendo timidamente ou sendo completamente ignorados.

Afinal, por que os curadores não estão olhando para o reggae?

A resposta passa por vários fatores da indústria fonográfica atual. Grandes festivais hoje operam fortemente sob a métrica de streamings instantâneos, virais de redes sociais e números estratosféricos de reprodução imediata. Embora o reggae tenha um público extremamente fiel e orgânico, ele muitas vezes circula fora das bolhas de algoritmos mais massivos que ditam as prioridades comerciais das grandes marcas patrocinadoras.

Além disso, infelizmente ainda existe um preconceito velado na indústria que reduz o reggae a um som de fundo de praia ou a uma estética datada, ignorando a sofisticação instrumental, a força das letras e a renovação constante da cena, que dialoga com o dub, o dancehall, o rap e o soul.

Por fim, os line-ups de megafestivais estão cada vez mais parecidos entre si. Contratar bandas de reggae de peso exige curadores dispostos a apostar na diversidade sonora real, e não apenas na repetição de fórmulas seguras que garantem venda rápida de ingressos.

O reggae brasileiro não vive apenas de sua história. Ele não para de se renovar e ganha constantemente novos nomes e fôlego criativo. Prova disso foi o bem-sucedido camp de composição promovido pela Abramus em São Paulo, que reuniu grandes talentos e novas apostas do gênero em uma verdadeira maratona de criação coletiva. Há muita gente talentosa produzindo e oxigenando o mercado agora mesmo.

O reggae não pede favor. O reggae tem história, público cativo e relevância artística inegável. Ignorá-lo nos grandes palcos é fechar os olhos para uma parte essencial da identidade musical do país.

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Fonte: TMDQA!

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