O valor depositado da pensão da filha da soldad
O valor depositado da pensão da filha da soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta em fevereiro deste ano, é cerca de dez vezes menor ao que o tenente-coronel, acusado de matar a PM, irá receber. Os números foram divulgados pelo advogado da família em uma publicação feita nesta quarta-feira (8).
O pedido para o benefício foi protocolado pela família no dia 6 de março junto ao SPPrev (Instituto São Paulo Previdência).
De acordo com o advogado, o valor depositado foi de cerca de R$7,1 mil, referente ao acumulado de três meses, o que equivale a aproximadamente R$2,3 mil por cada mês. A expectativa dos advogados era que a quantia chegasse a pelo menos R$2,5 mil mensais.
O valor do último salário bruto de Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio e fraude processual no caso da morte de Gisele, antes de ser preso, era de cerca de R$28 mil, conforme informações do site da Transparência do Governo de São Paulo.
O tenente-coronel foi transferido para a reserva da PM (Polícia Militar) a pedido próprio e baseado em "critérios proporcionais de idade". O valor da aposentadoria que o oficial deve receber ficará em cerca de R$20 mil, cerca de dez vezes mais do que a órfã irá receber.
Veja: Tenente-coronel réu por matar esposa PM é aposentado com salário integral
Diante disso, o advogado declarou que tomará as medidas legais e cabíveis para garantir que a filha de Gisele receba uma pensão digna e buscará fazer com que as despesas sejam pagas pelo próprio tenente-coronel.
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A CNN Brasil tentou contato com a defesa de Geraldo a respeito do assunto. O espaço segue aberto.
Relembre o caso
Inicialmente registrada como suicídio, a morte de Gisele, de 32 anos, foi reclassificada pela como feminicídio qualificado após investigações que revelaram inconsistências na versão apresentada por Geraldo, marido da vítima. O caso ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no Brás, região central da capital paulista.
De acordo com o inquérito, o relacionamento entre eles era marcado por violência doméstica, controle excessivo e abusos psicológicos. O casal vivia junto desde 2023 e havia oficializado a união em 2024.
Três coronéis irão julgar tenente-coronel réu por morte de esposa PM em SP | CNN NOVO DIA
Mensagens analisadas pela polícia indicam comportamento possessivo por parte do oficial, que exercia domínio sobre a vida financeira e pessoal da esposa. Cinco dias antes do crime, Gisele teria comunicado à família sua decisão de se separar, relatando episódios recorrentes de violência.
Veja as conversas
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Geraldo e Gisele estavam juntos há cerca de 4 anos - Reprodução/Redes Sociais
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Coversas mostram mensagens como "macho alfa" e "fêmea beta" - Reprodução
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Prints revelam "regras de comportamento" que Geraldo exigia de Gisele - Reprodução
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Mensagens apontam que Gisele teria se queixado de que Geraldo a "tratava de qualquer jeito" - Reprodução
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Mensagens foram trocadas no dia 13 de fevereiro - Reprodução
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Na data do ocorrido, o tenente-coronel afirmou que estava no banho quando ouviu um tiro e encontrou a esposa caída com a arma em mãos. No entanto, a perícia identificou uma diferença significativa entre o horário estimado do disparo, por volta das 7h28, e o acionamento do socorro, feito cerca de 30 minutos depois.
O exame necroscópico de Gisele apontou marcas de contenção no corpo da vítima, incluindo impressões digitais na mandíbula e arranhões no pescoço e rosto. A análise do padrão de sangue indicou que ela foi atingida em outra posição e posteriormente deslocada, sugerindo adulteração da cena do crime.
Saiba como foi a reconstituição
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De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, por volta das 7h28 - Reprodução
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A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça - Reprodução
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A acusação aponta que, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a vítima pela cabeça - Reprodução
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Após isso, Geraldo Neto atirou contra o lado direito do crânio da PM Gisele Alves Santana, segundo o MP - Reprodução
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Imagens mostram as marcas das agressões sofridas por Gisele no dia da morte - Reprodução
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O Ministério Público também sustenta que houve demora no acionamento do socorro. Conforme a acusação, o policial só teria chamado ajuda cerca de meia hora após o disparo, período em que teria alterado o local dos fatos - Reprodução
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Além disso, exames com luminol detectaram vestígios de sangue na roupa de Geraldo e no banheiro do imóvel. A investigação também apontou indícios de que ele teria se lavado antes da chegada da perícia, o que configura possível destruição de provas.
O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) o denunciou por feminicídio qualificado, por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual. O caso tramita em segredo de Justiça na 5ª Vara do Júri da Capital.
A Justiça decretou a prisão preventiva do acusado, tanto na esfera comum quanto na militar, e ele segue detido no Presídio Militar Romão Gomes. A defesa nega as acusações e sustenta que Gisele tirou a própria vida.
2025 registra recorde de feminicídios com 4 mulheres mortas por dia
*Sob supervisão de Thiago Félix
Fonte: CNN