O papel dos festivais de música no encontro entre a vanguarda e a nova geração da música
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Em um cenário dominado pelas lógicas dos algoritmos de streaming, a curadoria volta a se destacar como uma ferramenta de expansão cultural, resgatando a intencionalidade que o consumo automático nos tirou. No âmbito da música ao vivo, a escalação das atrações é uma aplicação prática dessa ideia: uma combinação que entrega performances marcantes e constrói um impacto duradouro ao cruzar as audiências de estilos musicais diversos e, principalmente, de diferentes gerações.
No Saravá, festival catarinense marcado para 12 e 13 de dezembro, a curadoria considerou artistas com identidade própria e que, ao mesmo tempo, pudessem apresentar ao público momentos distintos da música brasileira. No line-up, Johnny Hooker, Rachel Reis, Luedji Luna e Gaby Amarantos, alguns dos principais destaques da nova cena de música popular, se juntam a Caetano Veloso, Os Mutantes e Tom Zé, ícones da música tropicalista, e a Seu Jorge, que já acumula quase 30 anos de carreira artística e passagens por palcos nacionais e internacionais — e ainda vê os festivais como uma oportunidade para redescobrir o próprio trabalho. Seu Jorge comentou:
Festival tem essa coisa bonita de você encontrar um público que nem sempre sai de casa pra te ver. Tem gente que acompanha seu trabalho há muito tempo, tem quem conheça uma ou duas músicas e tem quem esteja te ouvindo pela primeira vez. O desafio é trazer todo mundo pra perto, fazer aquela plateia entrar no show com você. Isso não vem só da escolha das músicas, mas também da maneira como você chega, conversa, escuta a resposta das pessoas. Eu gosto de ter um repertório que permita esse encontro, com músicas que o público queira cantar junto, mas também espaço para mostrar outras coisas. Você pode ter muitos anos de estrada, mas não conhece aquela noite antes de subir no palco. Tem que estar presente, sentir o que está acontecendo e deixar a troca acontecer”.
E a busca por essa troca tem ainda mais força entre a nova geração: nomes como Gaby Amarantos, Don L, Lamparina e Johnny Hooker se destacam ao levar para o palco pontes que vão além do som, propondo conexões movidas por identidade, posicionamento e pela bagagem cultural de suas próprias regiões. Além de levar representatividade e novas influências à plateia, os festivais acabam se tornando também uma oportunidade para que os próprios artistas escalados descubram novos trabalhos. Seu Jorge complementa:
O que me chama a atenção é quando o artista tem uma personalidade, quando você percebe de onde ele vem, as referências dele, mas também o que está fazendo com aquilo. Tem muita gente trazendo a música da sua região, da sua vivência, e misturando com outras sonoridades com muita liberdade, e eu acho isso muito rico. O público também se renova, descobre um artista e, por meio dele, chega a outros trabalhos, outras gerações. Num festival como o Saravá, esses caminhos se encontram. Você vai assistir a um show e pode sair dali encantado com alguém que ainda não conhecia. Eu também gosto de estar nesse lugar de quem está descobrindo, ouvindo e aprendendo”.
Dessa forma, apostar na curadoria é devolver nossas possibilidades para o consumo de música, criando pontes entre os diferentes tempos da cultura.
Serviço | Festival Saravá 2026
Onde: Florianópolis (SC) Quando: 12 e 13 de dezembro de 2026 Local: Alcateia Park Campeche
12 de dezembro Palco Saravá: Tom Zé, Seu Jorge, Gaby Amarantos, Luedji Luna, Don L e Exclusive Os Cabides Palco Fervo: Shaka Music com Gus Caram, DJ Juanita, Cabra Guaraná e Lovesteady
13 de dezembro Palco Saravá: Caetano Veloso, Os Mutantes, Johnny Hooker, Rachel Reis, Lamparina e François Muleka convida Ekena Palco Fervo: DJ Tata Ogan, DJ Brum, Disco Veneno e Verônica Kist
Horários: 12 de dezembro: 16h às 04h 13 de dezembro: 15h às 03h
Ingressos: Através do site do Festival
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Fonte: TMDQA!