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O governo federal elevou de 14 para 16 anos a classificação indicativa do YouTube após uma análise técnica do Ministério da Justiça e Segurança Pública. De acordo com a nota divulgada pelo órgão, os vídeos que viralizaram nas redes sociais com as "novelas das frutas" são uma das justificativas para a decisão.
"Os personagens são frutas e vegetais antropomórficos, geralmente de aparência bastante atrativa para o público infanto-juvenil, com feições e expressões características de outras empresas de animação como Pixar e Disney. Contudo, as tramas apresentam temas extremamente complexos, que abarcam apelo sexual, violência doméstica, as mais variadas formas de preconceito, assassinatos e até mesmo estupros, tráfico de drogas e consumo de entorpecentes", diz o documento.
Com roteiros curtos, linguagens simples e estética inspirada em animações, as produções feitas com IA viralizaram justamente pelo enredo: traições, conflitos, agressões e outras situações extremas do cotidiano.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública justificou a decisão com a presença de personagens como o orégano, que é representado sob efeitos de entorpecentes.
"Alguns dos homicídios chegam ao ponto de apresentar lesões e sangramentos, aumentando o impacto imagético e a correspondência com a realidade", comenta a nota.
Em outro trecho, o documento cita trechos de trailers, filmes, animes, jogos e videoclipes publicados no YouTube que implicam em sofrimento emocional, inclusive com efeitos visuais como câmera lenta, enquadramentos fechados e efeitos visuais, deixando as imagens similares às reais.
"Em determinados materiais, alguns personagens praticam tortura, impondo sofrimento físico ou psicológico extremo e prolongado, seja com o objetivo de extrair informações ou mesmo para a obtenção de prazer. Em alguns casos, foi possível aferir a tendência de estupro ou coação sexual, em situações ficcionais nas quais personagens praticaram atos libidinosos não consensuais com outros", diz o texto.
Ainda, são comentados vídeos de podcasts, músicas e outras publicações que usam expressões de baixo calão que fazem referência a sexo, nudez e que ofendem e depreciam outras pessoas.
"A vulgaridade também está presente por meio da exibição de apetrechos sexuais, tais como consolos ou genitálias de silicone, ou relatos mais esmiuçados de práticas libidinosas".
O órgão defende que as obras são analisadas em sua totalidade para a definição da classificação etária - baseada em quatro tópicos: sexo e nudez, violência, drogas e interatividade.
Outras redes sociais também tiveram classificação indicativa alterada
A medida faz parte de um conjunto mais amplo de ações relacionadas ao chamado ECA Digital, que busca reforçar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online, incluindo critérios como exposição a conteúdos sensíveis, interação com desconhecidos e sistemas de recomendação algorítmica.
Na semana passada, o governo já havia elevado a classificação indicativa de outras redes sociais, como TikTok, Kwai e Pinterest, além de revisar a faixa etária de jogos populares e programas de televisão, dentro dessa mesma política de regulação.
Confira abaixo as classificações atuais
REDE SOCIAL
PRETENDIDA
ATRIBUÍDA
YouTube
14 anos
16 anos
Kwai
14 anos
16 anos
TikTok
14 anos
16 anos
16 anos
16 anos
12 anos
16 anos
12 anos
14 anos
X (Twitter)
18 anos
18 anos
12 anos
16 anos
Messenger
12 anos
14 anos
Threads
16 anos
16 anos
18 anos
18 anos
Discord
18 anos
18 anos
Poosting
18 anos
18 anos
Twitch
18 anos
18 anos
Snapchat
12 anos
16 anos
Bluesky
18 anos
18 anos
Quora
12 anos
18 anos
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*Com informações de Giu Aya, da CNN Brasil
Fonte: CNN