O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que
O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ), que é membro da comissão especial da Câmara sobre a PEC da escala 6×1, criticou parlamentares da direita que tenham como bandeira a "defesa da família" e sejam contrários ao fim da escala 6×1.
De acordo com Otoni de Paula - que é um dos membros mais relevantes da bancada evangélica no Congresso e faz oposição ao governo - é preciso "uma autocrítica da direita", e que defender a família "será apoiar o fim da 6×1".
"Muitos que dizem 'defender a família' devem mostrar que a defendem agora, nesse momento de discussão da jornada de trabalho. O problema é que alguns acham que defender a família é apenas nas pautas morais. Elas são importantes, mas não são as únicas", disse o parlamentar.
A declaração do deputado evangélico foi dada durante a sessão que instalou a comissão especial da Câmara que analisará a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre a redução de jornada.
Otoni de Paula adotou um tom extremamente crítico aos parlamentares que já se manifestaram contra o fim da escala 6×1. Otoni chegou a dizer que tais deputados se importariam apenas com questões de costumes ligadas a "órgãos genitais".
"Quem diz defender a família e votar contra o fim da 6×1, me desculpem, mas estará mostrando ao povo brasileiro que, na verdade, sua percepção de defesa se resume, única e exclusivamente, a órgãos genitais", afirmou o deputado. "Defender família é defender as condições do trabalhador."
"Temos que defender as mães"
O deputado Otoni de Paula ainda citou exemplos de mães solo que seriam beneficiadas com a redução na jornada de trabalho. Segundo o parlamentar, a "criação dos filhos e o ambiente familiar" são bastante prejudicados com o modelo empregatício atual.
"Temos que defender a mãe solo, que deixa o filho dormindo cedo em casa pra ir trabalhar e só volta quando ele está dormindo à noite. Mães que tem de deixar seus filhos com a vó ou com a empregada, terceirizando o papel materno e a criação dos filhos", disse Otoni.
Ele também criticou quem defende negociações diretas entre patrões e empregados como mecanismo para redução das jornadas ao invés de uma definição por lei federal. Para o deputado, essa ideia é "inconcebível". "Não é possível que alguém acredite que seja real negociação, ache que realmente o trabalhador vai conseguir negociar de modo justo e ter algum direito junto à elite patronal. Ainda existem deputados aqui que dizem ser possível uma mesa de negociação.
"A elite patronal são os poderosos, eles não 0abrem mão de nada a não ser por força de lei."
Comissão especial da 6×1
A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (29) a comissão especial que vai debater a PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o fim da jornada de trabalho 6×1.
O colegiado confirmou o deputado Alencar Santana (PT-SP) como presidente e o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator da proposta. Os nomes foram escolhidos pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e anunciados na tarde da terça-feira (28).
A comissão é composta por 38 titulares e igual número de suplentes. O PL e a federação governista formada por PT, PC do B e PV ocupam a maior parte das representações. A sigla da direita tem sete cadeiras, enquanto o grupo de esquerda tem seis lugares.
O projeto que altera a Constituição para reduzir o número de horas da jornada de trabalho também precisa ser analisado pelo plenário da Câmara para ter efeitos práticos.
Em entrevista à CNN, Motta afirmou que o texto é um dos mais importantes a tramitar no Congresso em 2026.
Câmara acelera rito para avançar com debate sobre fim da escala 6x1 | CNN PRIME TIME
Fonte: CNN