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O brasileiro nunca enfrentou tantas dificuldade

Por Equipe Editorial CifraNET · 15/04/2026
O brasileiro nunca enfrentou tantas dificuldade
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O brasileiro nunca enfrentou tantas dificuldades para manter as contas em dia. Indicadores de diversas entidades e ógãos apontam que o comprometimento da renda e o atraso nas dívidas atingiram patamares alarmantes no país.

Em entrevista ao CNN Money nesta quarta-feira (15), João Mário de França, pesquisador do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), apontou que nível de endividamento das famílias brasileiras já compromete cerca de um terço da renda média, o que afeta o consumo e os indicadores da economia, como o PIB (Produto Interno Bruto).

"O consumo, todos nós sabemos, é o principal motor do PIB brasileiro, do crescimento da economia brasileira", diz. "Então, esse endividamento, essa inadimplência, rapidamente vai bater no consumo, e isso vai bater numa diminuição do ritmo da atividade econômica no país".

O pesquisador diz que dois fatores principais agravam a situação das famílias: os juros elevados e a inflação que corrói o poder de compra.

França lembra que, embora a taxa Selic seja uma referência que influencia todo o sistema financeiro, as famílias brasileiras enfrentam uma estrutura de endividamento muito mais severa.

"Em geral, as famílias estão em linhas de crédito, linhas de financiamento muito caras, como o cartão de crédito rotativo", afirma França, destacando que esta modalidade possui juros de mais de 400% ao ano.

Além disso, a inflação no Brasil permanece em patamar elevado, "rodando a 4%, 4,5% ao ano", com a inflação de alimentos superando a média geral.

Governo não apresenta soluções estruturais
Quanto às medidas propostas pelo governo para reduzir o endividamento, como a utilização do FGTS para abater dívidas, o especialista as considera soluções momentâneas, não estruturais.

"É uma medida de curto prazo, emergencial, mas não resolve a questão estrutural do perfil desse consumidor, que está com a renda agora estagnada e comprometida com essa questão do endividamento", explica.

França descreve a situação como uma "bola de neve", onde famílias acessam modalidades de crédito mais arriscadas e custosas, enquanto governo e grandes empresas se financiam com títulos públicos e privados, que são formas mais baratas de crédito.

O especialista defende que são necessárias medidas estruturais de médio e longo prazo, incluindo melhor ajuste das contas públicas pelo governo, o que teria impacto positivo na redução dos juros, além de maior conscientização e educação financeira dos consumidores.

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Fonte: CNN

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