Novo parque no Jockey pode abrir quase 600 mil m² de possibilidades para São Paulo
A proposta de transformar a área do Jockey Club de São Paulo em um grande parque público reacendeu uma discussão importante para a capital: o que a cidade ganharia se um terreno de quase 600 mil metros quadrados fosse aberto à população?
O projeto ainda é hipotético, mas ganhou força com o Projeto de Lei 505/2025, que autoriza o Executivo municipal a declarar o terreno de utilidade pública para uma futura desapropriação. Até agora, a proposta ainda não foi aprovada de forma definitiva.
Caso avance, a iniciativa poderia criar um dos maiores parques urbanos da cidade, com espaço para áreas verdes, ciclovias, pistas de caminhada, equipamentos esportivos, centros culturais, jardins, áreas infantis e preservação do patrimônio histórico ligado ao turfe.
A dimensão do terreno chama atenção. A área do hipódromo possui quase 600 mil m², cerca de quatro vezes o tamanho do Parque Municipal Chácara do Jockey, na Vila Sônia, que tem aproximadamente 143 mil m².
Um parque desse porte poderia beneficiar famílias, estudantes, idosos, corredores, ciclistas, pessoas com deficiência, trabalhadores da região e visitantes de outras partes da cidade. Para isso, porém, seria necessário garantir acessibilidade, transporte público eficiente, segurança, iluminação, sanitários e entradas bem distribuídas.
Além do lazer, a criação de uma área verde dessa escala poderia ajudar São Paulo em questões ambientais. Parques urbanos contribuem para reduzir temperaturas, melhorar a qualidade do ar, ampliar a permeabilidade do solo e preservar a biodiversidade.
Outro ponto importante é a memória histórica. A transformação do espaço em parque não precisaria apagar a história do Jockey Club. Pelo contrário: as arquibancadas, o paddock, o Tatersal, a Vila Hípica, antigas cocheiras e outros elementos tombados poderiam ser integrados a novos usos culturais e educativos.
A área também abriga obras e elementos arquitetônicos protegidos pelo Condephaat e pelo Conpresp, incluindo altos-relevos de Victor Brecheret e construções associadas a nomes como Elisiário Bahiana e Henri Sajous.
Se bem planejado, o futuro parque poderia se tornar um novo cartão-postal paulistano, fortalecendo o turismo, a cultura, o esporte e a economia local.
Para cumprir esse potencial, no entanto, o projeto precisaria ser construído com participação pública e pensado como um espaço verdadeiramente democrático, aberto não apenas aos moradores da região, mas a toda São Paulo.