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Estados Unidos voltam a bombardear alvos no Irã
Os novos ataques dos Estados Unidos contra o Irã nesta quarta-feira (8) têm como cenário uma disputa que vai além dos bombardeios: quem exerce, na prática, o controle sobre o Estreito de Ormuz. A rota marítima é uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás.
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▶ Contexto: Ao anunciar a nova ofensiva, as Forças Armadas dos EUA afirmaram que a operação busca reduzir a capacidade iraniana de ameaçar a liberdade de navegação em Ormuz.
Segundo os norte-americanos, os bombardeios são uma resposta aos ataques contra navios comerciais registrados na terça-feira (7).
O presidente Donald Trump afirmou que a ofensiva é uma retaliação direta ao episódio e ameaçou ampliar os ataques caso novas embarcações sejam alvo de ações iranianas.
O Irã não assumiu a autoria dos ataques desta semana, mas já foi acusado de atacar embarcações comerciais que cruzavam a região em outras ocasiões.
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área.
Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite o país a monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região.
Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações.
Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima.
Controle do Irã
A popa danificada de um navio graneleiro operado pela empresa sul-coreana HMM, após ser atingido por dois objetos não identificados em Ormuz, em maio de 2026
Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul/Divulgação via REUTERS
O Irã não precisa bloquear completamente a passagem pelo Estreito de Ormuz para causar impactos. Uma simples ameaça de ataque já aumenta os custos de transporte, eleva o preço dos seguros marítimos e pressiona o mercado internacional de energia.
A Guarda Revolucionária mantém uma combinação de lanchas rápidas de ataque, baterias de mísseis costeiros, minas marítimas e drones capazes de atingir petroleiros e outras embarcações comerciais que descumprirem ordens na região.
Os ataques registrados nesta semana são exemplos dessa estratégia.
Um navio-tanque que transportava gás natural liquefeito foi atingido e pegou fogo próximo à costa de Omã, segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.
Outras duas embarcações sofreram danos, mas conseguiram seguir viagem. Ninguém se feriu.
Segundo autoridades britânicas, os três navios navegavam por uma rota próxima ao litoral de Omã, alternativa ao corredor controlado pelo Irã.
A televisão estatal do Irã afirmou que um dos navios atacados havia desrespeitado orientações das autoridades iranianas. Ainda assim, o governo não assumiu oficialmente a autoria da ação.
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Mapa divulgado pelo Irã mostra controle em região do Estreito de Ormuz
Juan Silva/g1
Disputa
Além das questões sobre o programa nuclear iraniano, a atual crise com os Estados Unidos também envolve um desacordo sobre quem pode estabelecer as regras de passagem pelo Estreito Ormuz.
Como parte de um acordo temporário firmado entre Estados Unidos e Irã, em junho, os dois países concordaram que navios poderiam atravessar o estreito sem pagar taxas por um intervalo de 60 dias.
Mesmo assim, o Irã continua insistindo que cabe ao país controlar as embarcações que passam pelo Estreito de Ormuz. Teerã também quer cobrar uma espécie de pedágio pela travessia.
Segundo a imprensa americana, autoridades iranianas chegaram a discutir a cobrança de pedágios de até US$ 2 milhões por embarcação.
A medida é criticada por especialistas marítimos, que a classificam como ilegal e inviável.
Veículos passam por um outdoor com uma imagem do Estreito de Ormuz e com os lábios costurados do presidente dos EUA, Donald Trump, em uma praça no centro de Teerã, Irã, sábado, 2 de maio de 2026.
AP Photo/Vahid Salemi
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Fonte: G1
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