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Como o vício em heroína inspirou a criação da icônica música dos Rolling Stones em 1973

Keith Richards, guitarrista lendário dos Rolling Stones, é uma verdadeira sobrevivência do rock, tendo enfrentado todos os excessos que o mundo da música pode oferecer. Apesar de hoje estar sóbrio, Richards já revelou qu...

Veiculo: CifraNET 3 min de leitura
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Keith Richards, guitarrista lendário dos Rolling Stones, é uma verdadeira sobrevivência do rock, tendo enfrentado todos os excessos que o mundo da música pode oferecer. Apesar de hoje estar sóbrio, Richards já revelou que algumas das canções mais marcantes da banda tiveram uma influência direta de seu uso de drogas, especialmente a heroína. Entre essas, destaca-se a faixa "Coming Down Again", lançada em 1973, que ele mesmo reconhece ter sido escrita sob o efeito dessa substância.

A relação entre drogas e criatividade no rock é um tema frequentemente debatido. Muitos artistas afirmam que o consumo de substâncias como álcool, cocaína e heroína serviu como um catalisador para a criação musical. No caso dos Rolling Stones, conhecidos por serem a versão mais áspera e rebelde em comparação aos Beatles, Keith Richards não hesitava em experimentar qualquer droga disponível. Embora ele tenha admitido que nem todas as drogas tiveram impacto em sua música, grande parte do material clássico da banda nos anos 1960 foi influenciado por esse contexto.

Richards, no entanto, sempre desconstruiu a ideia romântica de que as drogas seriam a fonte principal da criatividade dos Stones. Para ele, elas faziam parte do ambiente em que a banda vivia, mas a essência da composição estava enraizada na tradição do blues, no instinto musical e nas horas incontáveis que passavam tocando juntos.

Durante a era psicodélica, álbuns como "Their Satanic Majesties Request" refletiam a experimentação com o ácido lisérgico. Entretanto, ao retornarem às raízes do blues em trabalhos como "Sticky Fingers" e "Exile on Main St.", Richards já havia mergulhado profundamente no vício em heroína. No início dos anos 1970, os efeitos desse estilo de vida começaram a ser evidentes, com sessões de gravação cada vez mais afetadas pela imprevisibilidade de Richards. Sua dependência não só influenciava a música, mas ameaçava a estabilidade da banda, que já havia perdido Brian Jones por problemas de relacionamento e comportamento.

Foi nesse cenário turbulento que Richards compôs "Coming Down Again", uma das canções mais vulneráveis e emocionais de sua carreira. Embora a letra não trate diretamente do vício, Richards confessou em entrevista à revista Rolling Stone que jamais teria escrito essa música sem a heroína. Ele explicou: "Eu me pergunto sobre as músicas que escrevi: gosto das que fiz quando estava na heroína. Eu sou esse milionário rock star, mas estou no fundo do poço com essas outras pessoas miseráveis. Isso me mantinha em contato com a rua, no nível mais baixo".

A interpretação da música é marcada pelo tom abatido de Richards, que contrasta com a voz doce de Mick Jagger. Ao invés de cantar sobre o fim de um relacionamento difícil, Richards soa como alguém que já enfrentou a tempestade e aguarda a passagem do efeito da droga para retornar à sua musa química. Mesmo após anos de recuperação, "Coming Down Again" permanece como uma das composições mais transparentes e sinceras do guitarrista.

O valor dessa música está justamente em sua honestidade brutal. Diferente de muitas canções que romantizam o uso de drogas, Richards entrega uma performance íntima e crua, revelando o desgaste físico e emocional que o vício causou em sua vida. "Coming Down Again" é um retrato fiel do custo pessoal da dependência, um capítulo que Richards conseguiu superar, mas que deixou marcas profundas na história dos Rolling Stones e na música rock.

Keith Richards 'Red Rooster' by Bent Rej - Copenhagen - 1970
Crédito: Far Out / Bent Rej


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