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Butthole Surfers: Paul Leary revela a história inédita do álbum perdido 'After the Astronaut' dos anos 1990

Quase lendário entre os fãs, o álbum perdido dos Butthole Surfers, "After the Astronaut", finalmente foi oficialmente lançado após quase três décadas esquecido nos arquivos da banda. Embora cópias piratas e versões digit...

Veiculo: CifraNET 4 min de leitura
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Quase lendário entre os fãs, o álbum perdido dos Butthole Surfers, "After the Astronaut", finalmente foi oficialmente lançado após quase três décadas esquecido nos arquivos da banda. Embora cópias piratas e versões digitais tenham circulado desde os tempos do Napster, foi o guitarrista e cofundador Paul Leary quem resgatou as fitas originais para uma nova mixagem, revelando o ponto exato onde a banda se encontrava musicalmente no final dos anos 1990.

A trajetória dos Butthole Surfers foi marcada por uma jornada selvagem e inovadora. Nos anos 1980, o grupo já era conhecido como uma das bandas mais intensas e psicodélicas do underground alternativo americano, com shows ao vivo que se tornaram lendários pela energia caótica, uso de LSD, pirotecnia e performances visuais chocantes. O ápice dessa fase foi o álbum "Locust Abortion Technician" de 1987, considerado um marco da banda.

Nos anos 1990, com o estouro do grunge de Seattle, os Butthole Surfers foram catapultados para o mainstream alternativo, participando de festivais como o Lollapalooza e ganhando espaço na MTV. Para Paul Leary, essa ascensão parecia surreal, como se estivessem em um episódio do programa "Candid Camera". Ele relembra que, após anos de dificuldades, a banda chegou a assinar com uma grande gravadora, trabalhar com John Paul Jones do Led Zeppelin e até emplacar um hit.

O sucesso trouxe também críticas, com muitos fãs originais acusando-os de "venderem-se". Leary admite essa "venda", mas vê isso como parte da piada que sempre foi a identidade dos Butthole Surfers. Mesmo com a fama, a banda manteve a criatividade viva. Após o álbum "Electric Larryland" de 1996, eles adotaram uma nova forma de trabalho, com cada membro criando demos em casa antes de reunir tudo em estúdio, reacendendo o espírito experimental dos primeiros tempos.

Gravado em 1998, "After the Astronaut" mergulha nas tendências musicais da época, mas com a marca única da banda. O álbum traz batidas hip-hop cortantes, elementos industriais, grooves dançantes e uma colagem sonora rica e excêntrica. Faixas como "Intelligent Guy" e "Jet Fighter" mostram essa diversidade, enquanto "I Don't Have a Problem" captura momentos de humanidade através de samples de chamadas telefônicas interceptadas ilegalmente pelo baterista King Coffey.

Apesar do entusiasmo com o álbum, a Capitol Records bloqueou seu lançamento, questionando seu apelo comercial, e acabou desligando a banda do seu catálogo. Leary lembra com amargura o período de limbo que se seguiu, quando a gravadora ainda detinha os direitos e a banda não podia lançar o material.

A mudança na presidência da Capitol, de Hale Milgrim para Gary Gersh, contribuiu para essa ruptura. Sem gravadora e sem controle do álbum, os dias de liberdade criativa no topo do prédio da Capitol ficaram para trás. Contudo, uma parceria entre a gravadora independente Surfdog e a Hollywood Records, do grupo Disney, comprou os direitos do projeto. Ainda assim, a nova gravadora impôs mudanças, retirando e adicionando faixas, o que desagradou tanto a banda quanto os fãs.

O resultado dessas alterações foi o álbum "Weird Revolution", lançado em 2001, que Paul Leary considera um desfecho fraco para a história da banda. O material original foi diluído, e faixas como "Dracula from Houston" e "The Shame of Life" destoavam do restante, esta última coescrita por Kid Rock, cuja trajetória política posterior desagradava Leary.

Leary confessa que reviver essa fase é doloroso, especialmente devido aos problemas pessoais de Gibby Haynes e aos episódios tensos em estúdio. Ainda assim, ele entende que tudo fazia parte da brincadeira que os Butthole Surfers sempre foram, uma piada que ultrapassou todas as expectativas.

Após anos em que "Weird Revolution" foi visto como o último capítulo da banda, Leary redescobriu as fitas analógicas originais de "After the Astronaut" nos anos 2020 e decidiu restaurar o álbum em sua forma autêntica. Com a autorização da Hollywood Records, o disco foi finalmente lançado, oferecendo aos fãs uma viagem direta ao momento peculiar em que os Butthole Surfers surfavam as ondas da música dos anos 1990.

Sem acesso às mixagens originais, Leary optou por preservar a essência do álbum, apenas aprimorando o som para dar mais peso e clareza. Ele reconhece que o álbum soa datado, mas isso é parte do charme. "Estamos datados, somos homens velhos agora", afirma o guitarrista, encerrando assim a saga da banda em seus próprios termos, acompanhada do documentário "Butthole Surfers: The Hole Truth And Nothing Butt".

Este lançamento não só resgata um capítulo esquecido da história dos Butthole Surfers, mas também oferece um olhar sincero sobre os desafios, absurdos e conquistas de uma das bandas mais excêntricas e influentes do rock alternativo americano.

We're old men now- Butthole Surfers' Paul Leary looks back on 'After the Astronaut's 1990s wormhole - Far Out Magazine
Credit: Far Out / Pat Blashill

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