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Sam Altman e Dario Amodei: qual CEO sairá na frente na corrida de Wall Street?
Jens Schicke/IMAGO/Julien De Rosa/AFP via DW
Poderia ser um roteiro de Hollywood, mas é real. Dois nerds ambiciosos que, com estratégias duras e muita persistência, disputam a supremacia na Inteligência Artificial (IA).
Também não faltam reviravoltas. Dario Amodei, chefe da Anthropic, criadora do Claude, recentemente pediu uma pausa no desenvolvimento da IA, alertando que os humanos poderiam perder o controle.
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E isso poucos dias após apresentar à autoridade reguladora dos mercados americanos, a SEC, documentos para abrir o capital da empresa na bolsa (IPO).
Assim, os criadores do Claude saem na frente dos responsáveis pelo ChatGPT, da OpenAI, que só anunciaram sua estreia em Wall Street e submeteram a documentação necessária uma semana depois.
O momento parece favorável. As bolsas estão em alta e a IA está em evidência. Além disso, a Anthropic é avaliada atualmente em 965 bilhões de dólares, enquanto a OpenAI chega a 852 bilhões.
Um IPO poderia levar ambas ao grupo das empresas trilionárias - algo que hoje apenas gigantes como Nvidia, Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla alcançaram. Para comparação, a maior empresa alemã atualmente, a Siemens, vale cerca de 230 bilhões de dólares.
Para que serve tanto dinheiro?
A consultoria Gartner estima que os gastos globais com inteligência artificial continuarão crescendo fortemente, ultrapassando US$ 2,5 trilhões já neste ano.
A maior parte desses investimentos está na infraestrutura de IA, sobretudo na construção e aluguel de grandes data centers, responsáveis por fornecer o poder computacional necessário.
Até agora, Anthropic e OpenAI captaram recursos por meio de rodadas de investimento, nas quais empresas e fundos apostam em startups com potencial de crescimento.
Segundo o analista Harrison Rolfes, da PitchBook, a OpenAI já arrecadou US$ 185,9 bilhões desde sua fundação, enquanto a Anthropic captou US$ 126,8 bilhões.
Quem está na frente?
Para muitos especialistas financeiros, a Anthropic tem melhores perspectivas no mercado. "A Anthropic tem a melhor história para um IPO - e são sobretudo os números que convencem", afirma Rolfes.
A empresa deve faturar cerca de 47 bilhões de dólares neste ano, contra 30 bilhões da OpenAI, mesmo tendo captado menos recursos. Outro fator é o foco no mercado corporativo.
"Mais de mil empresas já gastam mais de um milhão de dólares por ano com a Anthropic", destaca o analista.
Já a OpenAI domina o segmento de consumidores com o ChatGPT, que tem mais de 900 milhões de usuários semanais - mas a maioria utiliza o serviço gratuitamente.
"Monetizar uma base tão grande de usuários grátis é um desafio", afirma Rolfes.
Pedro Domingos, professor emérito de ciência da computação da Universidade de Washington, concorda.
"A Anthropic está mais avançada nos serviços para empresas, e é daí que virá a maior parte do dinheiro. Mas isso pode mudar rapidamente". Segundo ele, a empresa tem mais demanda, mas menos capacidade computacional.
Uma disputa de egos
Claude costuma ser mais usado por empresas e ChatGPT, por usuários privados
Matteo Della Torre/NurPhoto/picture alliance via DW
A rivalidade também envolve grandes egos. Em 2021, Dario Amodei deixou a OpenAI por discordar da direção sob Sam Altman - excessivamente focada em dinheiro e insuficiente em responsabilidade.
Desde então, ele posiciona a Anthropic como defensora de uma IA mais segura e regulada.
Amodei também impôs limites quanto ao uso militar: o Claude não deveria ser utilizado para vigilância em massa nem sistemas de armas automatizados.
Isso levou o Pentágono a classificar a Anthropic como "risco de segurança na cadeia de fornecimento" - uma medida drástica, normalmente aplicada a empresas estrangeiras.
Sam Altman tenta ocupar esse espaço: a OpenAI planeja fornecer software ao Pentágono. Com isso, sua empresa vem assumindo cada vez mais o papel de "vilã" na disputa - algo irônico, considerando que a OpenAI foi fundada em 2015 com a missão de desenvolver IA de forma ética e responsável.
Especialistas acreditam que a postura de Amodei também tem um componente de marketing. Para Domingos, o sucesso rápido e a pressão crescente podem abalar a imagem da Anthropic como "a empresa do bem".
"Decisões difíceis virão, e alguns funcionários podem sair decepcionados - como aconteceu quando Amodei e outros deixaram a OpenAI".
Corrida pela AGI
Segundo Domingos, o objetivo final das empresas é desenvolver a chamada Inteligência Artificial Geral (AGI, na sigla em inglês), capaz de realizar qualquer tarefa cognitiva humana. "Quem chegar lá primeiro terá uma vantagem praticamente impossível de alcançar".
Ainda assim, Rolfes relativiza: "Chegar primeiro não significa vencer. Para lucrar de verdade com IA, é preciso adoção ampla, confiança das empresas e boas margens".
No fim das contas, diz ele, a disputa será decidida por qual tecnologia será adotada pelas maiores empresas do mundo.
A corrida pela liderança na inteligência artificial, portanto, ainda está longe de terminar.
Fonte: G1
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