Gerente do Corinthians vê cenário positivo e acredita na continuidade do basquete em 2026
- Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão
A eliminação do Corinthians para o Pinheiros nas semifinais do Novo Basquete Brasil (NBB) encerrou a campanha da equipe na temporada 2025/26 e trouxe novamente à tona as discussões sobre o futuro da modalidade dentro do clube. Apesar das incertezas financeiras, Gustavo Freitas, conhecido como Montanha e responsável pelo departamento de basquete, garantiu que o esporte segue nos planos da diretoria, embora precise se adequar a uma nova realidade orçamentária.
Em participação no podcast Café Belgrado, o dirigente revelou que conversas recentes com membros da administração, conselheiros e apoiadores da modalidade indicaram que não existe intenção de extinguir o projeto.
Foto: Beto Miller / Corinthians
"Tivemos reuniões com o presidente, com os conselheiros, com entusiastas da modalidade. Depois das conversas, o presidente nunca falou em acabar com o basquete, principalmente pelo momento que a gente viveu. Ele acompanhou dois jogos contra o Pinheiros, esteve no ginásio, viu tudo o que estava acontecendo e deixou muito claro que não pensa em acabar com o basquete. Eu entendo o lado da diretoria pelo momento financeiro delicado do Corinthians. Eu não consigo precisar valores agora, mas acredito e tenho plena confiança que o basquete vai seguir. A única situação é que a gente precisa definir um orçamento, a diretriz, para poder começar um trabalho novamente", disse Montanha.
A campanha recente foi a melhor do Corinthians desde a retomada das atividades do basquete, ocorrida em 2017. Antes da queda para o Pinheiros, a equipe eliminou Unifacisa e Minas, alcançando pela primeira vez uma semifinal de NBB neste novo ciclo.
Para Montanha, o desempenho alcançado é consequência direta da continuidade do trabalho desenvolvido nas últimas temporadas, especialmente pela manutenção de atletas e integrantes da comissão técnica. "Muito mérito do que aconteceu nesta temporada foi por ter mantido boa parte do elenco, da comissão técnica, uma sequência de trabalho. Acho que essa conversa de acabar com o basquete já passou, foi uma situação lá atrás. Temos que começar a pensar grande e em como melhorar o que a gente fez nessa temporada. Como profissional e responsável pelo basquete, eu quero chegar sempre mais longe, e acredito que a gente possa. Tenho total consciência do que podemos alcançar", opinou Montanha.
Entretanto, a perspectiva de redução de investimentos gera preocupação para a montagem do elenco da próxima temporada. Embora alguns jogadores possuam contratos em vigor e cláusulas de proteção, a permanência de boa parte do grupo ainda depende das definições financeiras que serão tomadas pelo clube nas próximas semanas.
O gerente admitiu que a possibilidade de perder atletas para concorrentes é um cenário real e que a demora na definição do planejamento pode prejudicar as negociações de renovação.
"Essa é uma preocupação que me tira o sono, porque é muito real a possibilidade de atletas saírem e assinarem com outros clubes. Por outro lado, todos eles demonstraram interesse em ficar aqui e querem saber primeiro do Corinthians para entender o que vai acontecer. Quando eles me ligam ou trocamos mensagens, percebo que muitos querem permanecer, independentemente da questão financeira. Eu fico feliz e agradeço muito a confiança que todos têm em mim e dos agentes que têm essa confiança de manter esse diálogo aberto para entender, porque eu sou muito claro também. Não vou mentir ou prometer coisas que não posso cumprir", desabafou Montanha.
O dirigente ressaltou ainda que o tempo para encontrar uma solução está cada vez mais curto, já que muitos atletas precisam definir seus próximos passos profissionais e familiares.
"Entendo que eles têm famílias, filhos pequenos e precisam tomar decisões para suas carreiras. A gente não pode demorar, porque o atleta tem mudança de estado, mudança de família, estrangeiros mudando de país ou indo para outra cidade, são coisas grandes que eles precisam resolver nas vidas particulares. Já recebi informações sobre propostas, ofertas e sondagens envolvendo nossos jogadores, e deixei claro que faremos o melhor possível. Hoje, a minha prioridade seria a manutenção de boa parte do elenco e de boa parte da comissão técnica, porque isso faz muita diferença na próxima temporada. A gente sai na frente para manter um plantel que já está acostumado, já sabe tudo como funciona. Essa é a nossa esperança, mas o prazo está se esgotando, não consigo mais pedir para eles aguardarem que a gente vai resolver", acrescentou.
Apesar do encerramento da participação no NBB, o time masculino ainda voltará às quadras nesta temporada para a disputa do Campeonato Paulista, programado para começar em agosto.
A discussão sobre o futuro do basquete ganhou força no fim do ano passado, quando o presidente Osmar Stabile anunciou a descontinuação das equipes femininas e das categorias de formação ao término de seus respectivos calendários. Na ocasião, a justificativa apresentada foi a necessidade de conter despesas diante da elevada dívida acumulada pelo clube.
Montanha acredita que o potencial da marca Corinthians deveria ser suficiente para atrair investimentos mais robustos para a modalidade. Segundo ele, o projeto possui estrutura consolidada e capacidade para oferecer retorno relevante a possíveis parceiros comerciais.
"Aqui no Corinthians, a gente trabalha como uma coisa só. Não existe distinção, é tudo Corinthians. Isso traz um lado muito positivo, que é a força da marca, o tamanho do clube e a visibilidade que isso proporciona. Eu não posso aceitar a ideia de que o Corinthians não seja capaz de atrair um patrocínio maior, que realmente sustente o basquete e o coloque no patamar que acreditamos que ele pode alcançar", disse Montanha.
Além disso, o dirigente destacou que o clube já dispõe de uma base sólida para crescer esportivamente nos próximos anos. "O mais difícil nós já temos. O Ginásio Wlamir Marques é um dos melhores do país, temos estrutura, qualidade e conseguimos trazer o torcedor de volta para perto do basquete. Agora, precisamos dar o próximo passo. Quero disputar finais, conquistar títulos e competir em torneios internacionais no mais alto nível. Por isso, quero que o mercado enxergue o basquete do Corinthians como um produto gigante, capaz de entregar público, engajamento e retorno. E, para dar o próximo passo, precisamos de parceiros que acreditem nisso tanto quanto nós", completou.
A previsão orçamentária para 2026 aponta uma redução significativa nos recursos destinados aos esportes terrestres, grupo que engloba basquete e futsal. A projeção é que os gastos totais caiam de R$ 26 milhões para aproximadamente R$ 17 milhões.
Mesmo assim, o portal Meu Timão noticiou recentemente uma possível negociação com um novo patrocinador para os esportes terrestres e também para o futebol feminino. De acordo com as informações divulgadas, a proposta em análise superaria em cinco vezes o valor inicialmente estipulado pelo clube.
Sem revelar números específicos, Montanha explicou que o orçamento da modalidade envolve muito mais do que apenas salários dos atletas. "Prefiro não abrir valores específicos, mas estamos falando de um orçamento anual que contempla todas as despesas da operação, não apenas o pagamento dos atletas. Na verdade, a folha salarial dos jogadores representa menos da metade desse montante. Quando falamos de orçamento, estamos incluindo logística, viagens, hospedagem, estrutura, comissão técnica, funcionários, categorias de formação e toda a operação necessária para manter o projeto funcionando. O orçamento necessário para sustentar uma equipe competitiva de basquete é muito menor do que muita gente imagina. Mais do que um patrocinador que simplesmente cubra despesas, o que buscamos é um parceiro que enxergue valor no produto, na torcida, na exposição da marca e no potencial de crescimento do basquete do Corinthians. A ideia é construir uma relação de benefício mútuo, em que tanto a empresa quanto o clube saiam fortalecidos", concluiu.
Enquanto o basquete feminino teve suas atividades encerradas após a disputa do Campeonato Paulista de 2025, no qual terminou com o vice-campeonato, a equipe masculina seguirá em funcionamento ao menos até o término da temporada estadual de 2026.
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Fonte: Central do Timao