David Crosby e a banda que ele elegeu como os maiores compositores da história: "Ninguém supera"
David Crosby, uma lenda da música conhecida por sua busca incessante pelas melhores canções, sempre teve um olhar apurado para identificar artistas que transcendem o comum na composição musical. Ao longo de sua carreira, ele não se contentou com melodias medianas ou letras superficiais; seu objetivo era encontrar aquelas harmonias e letras que fazem o ouvinte parar e se perguntar como alguém foi capaz de criar algo tão único e impactante.
Embora Crosby tenha estudado e admirado muitos dos grandes nomes da música, ele sempre reconheceu que alguns artistas estavam em um patamar à parte. Entre esses, a cantora e compositora Joni Mitchell se destacou para ele como alguém que o superava em criatividade e técnica. Mitchell não apenas criava clássicos, mas também explorava afinações pouco convencionais e combinava suas melodias com poesia de alto nível, colocando-a na mesma conversa dos maiores músicos do século XX, muito além do universo do rock.
Crosby também nutria grande respeito por outros letristas renomados, como Bob Dylan. No entanto, para ele, a verdadeira prova de uma boa canção era sua capacidade de soar impecável ao vivo. Apesar da genialidade das letras de Dylan, sua voz nem sempre era considerada um instrumento marcante. Foi nesse contexto que a banda The Byrds, da qual Crosby fez parte, transformou algumas das composições de Dylan em versões mais acessíveis e impactantes para o rádio, ampliando seu alcance e ressonância.
A formação do supergrupo Crosby, Stills & Nash marcou uma nova fase para Crosby, que finalmente se libertou das fórmulas comerciais do pop e passou a criar sem a pressão de um hit garantido. Ele observou que outros grandes nomes da música, como Michael McDonald e Stevie Wonder, também passaram a compor mais para si mesmos com o passar dos anos. Mas, para Crosby, uma banda em especial produzia um tipo de música que ele considerava digna dos deuses: Steely Dan.
Donald Fagen e Walter Becker, os membros centrais do Steely Dan, tinham uma abordagem meticulosa e exigente na criação musical. Eles não abriam mão dos elementos humanos em suas gravações e buscavam a perfeição em cada faixa. Essa busca pela excelência os levava a pressionar seus colegas de banda até o limite, mas Crosby sabia que esse rigor resultava em algumas das canções pop mais sublimes já feitas.
Até o fim de sua vida, David Crosby manteve a convicção de que Donald Fagen e Walter Becker formavam a melhor dupla de compositores da história da música pop. Ele afirmou com convicção: "Donald Fagen é metade da melhor equipe de compositores pop da história. Absolutamente a melhor. Quem é melhor que o Steely Dan? Ninguém. Acho que ninguém chegou perto desse nível de trabalho." Essa opinião, vinda de um músico tão respeitado, reforça a importância e o impacto duradouro da obra do Steely Dan.
Analisando a complexidade por trás das composições de Fagen e Becker, percebe-se que seu trabalho representa um dos ápices do rock sofisticado. Apesar de algumas críticas que rotulam seu som como "yacht rock" ou música para um público mais velho, álbuns como "Aja" são exemplos de perfeição musical, com solos memoráveis de Larry Carlton e performances de bateria de Steve Gadd que são verdadeiras aulas de técnica.
O legado do Steely Dan transcende gerações e estilos, conquistando fãs de diferentes origens e mantendo-se como uma referência incontestável na história da música. Assim como lendas do jazz como Duke Ellington, a banda estabeleceu um padrão artístico tão elevado que dificilmente será superado, mesmo dentro de um século.
Essa admiração de David Crosby pelo Steely Dan revela não apenas seu apreço pela qualidade técnica e artística, mas também sua capacidade de reconhecer o valor de uma música que desafia padrões e permanece atemporal. Para ele, o Steely Dan não era apenas uma banda; era o exemplo máximo do que a composição e a produção musical podem alcançar.