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Clima e manejo impulsionam produção da uva Nebbiolo no Brasil

Por Equipe Editorial CifraNET · 23/05/2026
Clima e manejo impulsionam produção da uva Nebbiolo no Brasil
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Conhecida por originar os tradicionais Barolos e Barbarescos italianos, a uva Nebbiolo começou a ampliar sua produtividade em vinhedos brasileiros após ajustes de manejo e adaptação climática em regiões de menor umidade no Rio Grande do Sul.

Com índices históricos da safra da uva de 2026, produtores conseguiram atingir a marca de três quilos por planta, volume que é considerado arrojado para uma cepa que requer muitos cuidados no campo.

Conhecida por originar os tradicionais Barolos e Barbarescos italianos, a uva Nebbiolo começou a ampliar sua produtividade em vinhedos brasileiros após ajustes de manejo e adaptação climática em regiões de menor umidade no Rio Grande do Sul.

Com índices históricos da safra da uva de 2026, produtores conseguiram atingir a marca de três quilos por planta, volume que é considerado arrojado para uma cepa que requer muitos cuidados no campo.

Nos vinhedos da Casa Marques Pereira, em Monte Belo do Sul (RS), o controle da incidência solar sob os cachos foi essencial para diminuir o nível de perda no campo. Para isso, os viticultores decidiram realizar uma poda verde mais conservadora, permitindo que as folhas fizessem sombra em determinados períodos do dia.

Brasil é um dos principais destinos do vinho português | MORNING CALL

"No geral, todas as uvas gostam da exposição solar, mas a Nebbiolo nos traz uma característica específica que é poder inibir o sol do final da manhã, início da tarde. É praticamente a receita que já diz no nome, na tradução ao português a uva significa "névoa", já que no Piemonte a neblina se dissipa ao longo do dia", analisou o vinhateiro Felipe Marques Pereira.

Além da especificidade solar, os trabalhadores rurais também notaram alternância na produção. Determinadas plantas que produziam bons volumes de uvas não repetiam o mesmo feito nos anos seguintes. Assim, a opção foi ampliar em cerca de 30% a carga de gemas para a safra seguinte

Maturação lenta favorece potencial de guarda

Fora da Serra Gaúcha, a Nebbiolo também encontrou afinco em outra região importante para a viticultura brasileira, a Serra do Sudeste. A localidade compreende os municípios de Encruzilhada do Sul, Caçapava do Sul e Piratini e é rica em solo granítico de alta profundidade, baixa matéria orgânica e excelente drenagem.

Em uma altitude de cerca de 450 metros, o produtor de vinhos Eduardo Gastaldo afirma que o terroir diminui possíveis impactos da chuva que possam afetar a sanidade da fruta, já que a cepa possui um ciclo vegetativo longo e maturação tardia.

"Por aqui a Nebbiolo tem uma casca fina, então é mais sensível a qualquer intempérie. Em períodos próximos à colheita, é necessário que estejamos dia a dia conferindo o ponto ideal para retirar da videira", comentou.

Mesmo que os desafios sejam grandes, a casta surpreende e apaixona degustadores de vinhos no mundo todo. Por ter uma concentração de fruta fresca, taninos macios e alta acidez, a vinificação propicia longos períodos de guarda para os rótulos.

Em um dos precursores do plantio de Nebbiolo no Brasil, o vinho Singular da vinícola Lidio Carraro, por exemplo, atingiu sua curva de ápice cerca de 20 anos após o lançamento.

"A gente lança um Nebbiolo sempre após 10 anos de amadurecimento nas nossas caves, com potencial de até 20 anos de guarda. Lembro que em 2006 a crítica de vinhos britânica, Jancis Robinson, disse que o ápice do nosso vinho seria em 2026. Recentemente abrimos uma dessas garrafas e estava - realmente - fenomenal", avaliou o enólogo Juliano Carraro.

 

Fonte: CNN

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