Aos 85 anos, Ringo Starr segue em movimento - e
Aos 85 anos, Ringo Starr segue em movimento - e, para compreender seu momento atual, a resposta passa menos por uma "mudança repentina" e mais por um caminho que vem sendo construído há anos. O lançamento de Long Long Road, no último dia 23 de abril, consolida uma aproximação cada vez mais evidente com o universo do country e da música americana, dentro de uma fase madura, leve e surpreendentemente produtiva.
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A influência americana como motor criativoAntes de parecer uma aventura no country, o novo álbum mostra, na prática, um retorno às raízes. Desde os tempos de The Beatles, Ringo já demonstrava afinidade com a música americana - especialmente o country clássico e o rockabilly. Faixas como Act Naturally já apontavam esse interesse décadas atrás.
Agora, em Long Long Road, essa inclinação ganha protagonismo. Segundo a reportagem da BBC, o disco tem uma sonoridade mais próxima de Nashville e Los Angeles do que de Liverpool - uma declaração estética clara sobre a fase atual do artista.
O próprio Ringo tem reforçado, em entrevistas recentes, que não vê o álbum como uma ruptura, mas como continuidade. Depois de projetos anteriores já flertando com o gênero - como Look Up -, Long Long Road surge como um aprofundamento natural.
Essa relação construída ao longo do tempo oferece ao músico um território natural para contar histórias, explorar melodias diretas e preservar a espontaneidade que sempre marcou sua carreira. Como ele próprio tem destacado, o prazer de tocar ao vivo e transitar entre turnês e estúdio segue sendo o principal motor criativo - um ciclo que permanece ativo mesmo após mais de seis décadas de trajetória.
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"Eu amo música country. Liverpool amava música country; era uma cidade muito musical. Muitos dos jovens do bairro trabalhavam na marinha mercante; eles iam para os Estados Unidos e voltavam com esses discos", disse Sir Ringo em outra entrevista.
Cultura pop, cinema e permanênciaA entrevista da BBC também abordou outro tema que reforça sua relevância cultural: o ator Barry Keoghan, escolhido para interpretá-lo no novo projeto cinematográfico sobre os Beatles, dirigido por Sam Mendes.
Esse cruzamento entre música, cinema e memória pop reforça como Ringo Starr segue despertando o interesse de novas gerações. O lançamento de Long Long Road se insere justamente nesse contexto: o de um artista histórico que permanece ativo, influente e em constante reinvenção.
Por que Ringo assumiu seu lado country?
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A resposta, no fim das contas, é simples - e nada acidental. Ringo Starr não assumiu o country: ele voltou para um território que sempre fez parte da sua formação musical.
O que mudou foi o momento. Livre de pressões comerciais e confortável com sua identidade artística, ele transforma essa influência em linguagem principal. O resultado é um álbum que não soa como experimento, mas como consequência natural de uma trajetória longa, coerente e, acima de tudo, ainda em curso.
Fonte: Antena 1