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A taxa Selic deve continuar em trajetória de qu

Por Equipe Editorial CifraNET · 24/04/2026
A taxa Selic deve continuar em trajetória de qu
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A taxa Selic deve continuar em trajetória de queda, mas com menos intensidade do que se projetava antes do início da guerra no Oriente Médio. A avaliação é do economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano. Para ele, o BC (Banco Central) deve reduzir os juros "de 0,25 em 0,25 ponto porcentual" nas próximas decisões, encerrando o ano em 12,75%.

Serrano é o entrevistado do Capital Insights, programa fruto da parceria entre Broadcast e CNN Money, que vai ao ar hoje, às 19h.

Segundo Serrano, o BC já vinha demonstrando uma postura conservadora no início do ciclo de afrouxamento monetário e tende a manter essa estratégia.

Ele cita declarações do diretor de Política Monetária, Paulo Picchetti, sobre o balanço de riscos, que, na leitura do economista, pode ficar mais assimétrico, com maior probabilidade de a inflação desviar para cima - e com um desvio potencialmente mais intenso.

"Nesse cenário, o BC tende a ser mais cauteloso. Vai cortar os juros mais devagar", afirma.

O ritmo, porém, dependerá do ambiente externo. Se as condições internacionais melhorarem, o processo de queda pode continuar e até ganhar velocidade. Se o cenário permanecer pressionado - com destaque para o comportamento do petróleo -, a tendência, diz Serrano, é o BC interromper o ciclo antes do que se imaginava.

Ainda assim, ele ressalta que há espaço para reduzir juros, dado o patamar atual ainda bastante restritivo.

"Temos juros muito altos. Estamos falando de 14,75%. É bastante alto", diz, defendendo que o BC "fez o certo" ao esperar mais evidências antes de iniciar a redução, a partir do nível de 15%, em março. A próxima decisão está marcada para quarta-feira (29).

O economista detalha que, ao final do ano passado, faltavam elementos para maior convicção sobre o corte, como sinais mais claros de desaceleração da atividade e melhora consistente em itens sensíveis, como inflação de serviços.

O Banco Central, afirma, acumulou confiança na virada do ano e iniciou o processo, mas precisou ser mais cauteloso depois, com a piora no cenário externo. E o BC tende a "atravessar a eleição mantendo esse ritmo de 0,25 pp".

O economista reforça que é preciso observar se as pressões associadas ao conflito vão se transmitir para os preços de serviços, mas vê, no curto prazo, um risco maior de inflação. Já no médio prazo, o risco mais relevante passa a ser o de atividade.

Serrano aponta ainda que o país segue com um diferencial relevante nos preços de combustíveis e alerta que, caso haja reajuste para "equalizar" essa defasagem, o impacto pode contaminar o índice cheio. A projeção do Bmg para o IPCA de 2026 está "perto de 5%", mas o economista pondera que, se os combustíveis forem ajustados, "vamos estourar 5%".

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Em relação ao câmbio, Serrano afirma que o dólar está muito perto do valor justo e que o cenário atual é relativamente favorável para a moeda brasileira, com a taxa devendo ficar em torno de R$ 5 no curto prazo. Ele observa, contudo, que no segundo semestre o fluxo de dólares tende a cair "naturalmente", o que pode reduzir parte do suporte cambial.

Ao tratar do pano de fundo doméstico, o economista cita a questão fiscal. Para Serrano, o país caminha para uma dívida bruta perto de 95% do PIB "em breve", e a combinação de endividamento crescente com juros elevados não é benigna, inclusive para a percepção de risco e a nota de crédito.

Ele afirma que "vamos ter que passar por ajuste", considera que o Brasil "gasta mal" e critica a falta de avanços estruturais, citando a Previdência como problema e a desindexação como uma agenda importante.

Na sua avaliação, o arcabouço fiscal não funcionou como âncora, as projeções de inflação seguem desancoradas "há muito tempo" e o cenário pós-eleição permanece em aberto, com dúvidas sobre as contas públicas e o papel das estatais.

"Temos que continuar trabalhando para melhorar", conclui.

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Fonte: CNN

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