A música rejeitada por Bruce Springsteen que virou sucesso nas mãos de Warren Zevon em 1980
Por Equipe Editorial CifraNET · 25/06/2026
Publicidade
Bruce Springsteen, após o modesto sucesso com sua primeira banda Earth no final dos anos 1960, ambicionava alcançar a fama mundial. Durante os anos 1970, ele formou a primeira versão da E Street Band e percorreu os Estados Unidos, incluindo a Califórnia, enquanto trabalhava em seu material para os primeiros álbuns de estúdio. Em 1972, ao assinar com a Columbia Records, parecia que sua carreira começaria a decolar, mas os anos seguintes trouxeram desafios.
O lançamento do álbum de estreia, Greetings from Asbury Park, N.J., em 1973, não alcançou o sucesso comercial esperado, apesar do reconhecimento da crítica. Springsteen, no entanto, continuou a investir suas energias no segundo álbum, The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle, que também recebeu elogios da crítica, mas repetiu o desempenho comercial modesto. Diante disso, a Columbia ofereceu a Springsteen um orçamento generoso para seu terceiro álbum, encarado como uma última chance para conquistar o público.
Em entrevista à BBC News em 2018, Springsteen relembrou a pressão daquele momento: "Eu teria que dar tudo de mim." O resultado foi Born to Run, lançado em 1975, que se tornou um marco em sua carreira, catapultando-o para a fama e se tornando um dos discos mais importantes e queridos de seu repertório.
No entanto, como em muitos álbuns clássicos, Born to Run também teve faixas rejeitadas, que não foram incluídas na versão final por não se encaixarem na narrativa ou no fluxo do disco, fruto do perfeccionismo do artista. Ao todo, sete músicas foram deixadas de fora, algumas das quais foram posteriormente lançadas como raridades, como "Linda Let Me Be the One" e "So Young and in Love", que apareceram na coletânea Tracks. Mixagens de "Lonely Night in the Park" e "Walking in the Street" também foram divulgadas em 2005 na E Street Radio, em comemoração aos 30 anos do álbum.
Entre essas faixas rejeitadas estava "Janey Needs a Shooter", uma canção que Springsteen tocava frequentemente em versões acústicas desde 1972, mas que ficou esquecida por décadas. Somente em 2020, ele revisitou e gravou a música para seu álbum Letter to You, demonstrando seu hábito de revisitar composições antigas, acreditando que algumas ideias precisam do momento certo para florescer.
Curiosamente, "Janey Needs a Shooter" ganhou uma nova vida nas mãos do cantor Warren Zevon, que regravou a faixa com o título "Jeannie Needs a Shooter". Essa versão foi incluída no álbum de Zevon de 1980, Bad Luck Streak in Dancing School, e lançada como o segundo single do disco. A trajetória dessa música revela como o trabalho de Springsteen é rico e profundo, com composições que, mesmo rejeitadas inicialmente, podem se transformar em sucessos anos depois, seja por meio de releituras de outros artistas ou pelo próprio Springsteen em novas gravações.
Essa história reforça a importância da persistência e do valor das canções que, apesar de não se encaixarem em um projeto específico, possuem potencial para brilhar em outros contextos. A música "Jeannie Needs a Shooter", de Warren Zevon, permanece como um exemplo emblemático dessa dinâmica, conectando dois grandes nomes do rock em uma narrativa fascinante.
Abaixo, é possível ouvir as versões de Warren Zevon e Bruce Springsteen da música que marcou essa trajetória única.