Notícia

A Justiça de São Paulo aceitou, nesta segunda-f

Por Equipe Editorial CifraNET · 14/04/2026
A Justiça de São Paulo aceitou, nesta segunda-f
Publicidade

A Justiça de São Paulo aceitou, nesta segunda-feira (13), a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra Larissa de Souza Batista, acusada de envenenar o próprio namorado com um açaí contaminado por chumbinho em 5 de fevereiro deste ano, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Além de aceitar a denúncia, a Justiça decretou a prisão preventiva de Larissa sob a justificativa de garantia da ordem pública, diante da gravidade concreta do delito revelada pelo modus operandi empregado. A defesa dela tem 10 dias para responder à acusação.

Para o MP, a mulher agiu com emprego de meio cruel e dissimulado, com recurso que dificultou a defesa da vítima, identificado como Adenilson Ferreira Parente. Apesar da não-concretização do plano, o órgão imputou a prática de homicídio qualificado tentado sobre Larissa, somente não consumando o delito por circunstâncias alheias à sua vontade.

De acordo com a denúncia, a materialidade do crime está exposta pelo prontuário médico de Adenilson, pelo exame de colinesterase plasmática, pelo relatório de investigação e pelo laudo de exame toxicológico em objeto, que identificou a substância terbufós inseticida no alimento e na substância granulada retida no fundo do recipiente.

À CNN Brasil, o promotor de Justiça Eliseu Berardo Gonçalves afirmou que, embora não fora identificada a motivação do crime, Larissa agiu de forma dissimulada, fingindo e ocultando sua real intenção, que era envenená-lo. Segundo ele, a mulher ainda se aproveitou da relação amorosa que vivia com a vítima para cometer a ação.

Inicialmente, a promotoria levantou a hipótese de interesse financeiro de Larissa perante o namorado, já que a vítima possuía R$ 20 mil em espécie. Porém, segundo o promotor, essa linha foi descartada porque o valor já não estava com ele no momento em que ingeriu o açaí contaminado.

O promotor declarou que a conclusão foi possível após o aprofundamento das investigações, com coleta de depoimentos, análise de imagens e reunião de provas.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa da mulher. O espaço segue aberto.

O caso
Em 5 de fevereiro, Adenilson Ferreira Parente foi internado em estado grave após ingerir um açaí contaminado com chumbinho, na rua Professor José Coelho Gomes Ribeiro, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Segundo o promotor de Justiça Eliseu Berardo, a vítima apresentou insuficiência respiratória, perda de memória e precisou ser intubada.

Conforme a denúncia oferecida pelo MP, no mesmo dia, a companheira dele, Larissa, fez dois pedidos de açaí em um estabelecimento, um em seu nome e outro no da vítima.

Após retirarem os alimentos, imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que, já em frente à residência do casal, ela abriu o copo destinado ao namorado e inseriu uma substância em seu interior - sendo posteriormente identificada como o veneno terbufós, conhecido como chumbinho.

Ainda segundo o promotor, a mulher admitiu ter colocado algo no copo, mas declarou que seria leite condensado. A versão foi descartada pelo MP, uma vez que o item já fazia parte da composição do produto e não foi solicitado separadamente.

Larissa teria fechado o recipiente após a inserção do chumbinho, sem deixar vestígios, e insistido para que a vítima consumisse o alimento. Adenilson não ingeriu o açaí imediatamente e saiu de casa. Ao retornar, consumiu o produto e passou mal, relatando desconforto na garganta, segundo o MP.

De acordo com a acusação, Larissa teria sugerido que ele fosse ao hospital para realizar uma lavagem estomacal, o que indicaria que ela já tinha conhecimento do envenenamento. A investigação também apontou que a denunciada resetou o celular aos padrões de fábrica no dia da operação policial, apagando possíveis provas.

Na denúncia, os indícios de autoria incluem imagens de segurança, depoimentos de familiares e funcionários do estabelecimento, além de laudos periciais. Para o Ministério Público, a denunciada adquiriu previamente o veneno, inseriu a substância no alimento de forma dissimulada, em ambiente doméstico, e dificultou a defesa da vítima, que ingeriu o produto sem perceber o risco.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

 

Fonte: CNN

Publicidade