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Trump: vamos prorrogar cessar-fogo até que Irã apresente proposta
A mídia do Irã afirmou nesta terça-feira (21) que a continuidade do bloqueio naval pelos Estados Unidos equivale à manutenção das hostilidades e que não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto a medida persistir.
A declaração foi divulgada pela agência Tasnim News Agency, ligada à Guarda Revolucionária, após Donald Trump anunciar a prorrogação do cessar-fogo no conflito.
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Em publicação na Truth Social, o presidente dos EUA afirmou que as Forças Armadas vão prorrogar a trégua contra o Irã "até que os representantes iranianos cheguem a uma proposta unificada para negociar a paz".
Trump determinou, porém, que as forças americanas mantenham o bloqueio marítimo no Estreito de Ormuz - por onde passa cerca de 20% do petróleo global -, anunciado em 12 de abril.
O estreito teve a navegação restringida pelo Irã após o início da guerra, em 28 de fevereiro. Desde então, apenas navios de países aliados eram autorizados a atravessar. Na semana passada, porém, Trump anunciou medidas para bloquear petroleiros ligados ao país.
Segundo a agência do Irã, a continuação do bloqueio naval pelas forças americanas "equivale à continuidade das hostilidades" e, "enquanto o bloqueio persistir, o Irã ao não reabrirá o Estreito de Ormuz e, se necessário, romperá o bloqueio pela força".
A agência iraniana também afirmou que, "se os EUA quiserem manter a sombra da guerra, devem considerar o Estreito de Ormuz efetivamente fechado". Integrantes do governo iraniano ainda não se pronunciaram.
Um assessor do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que o anúncio de Donald Trump tem pouca relevância.
"A prorrogação do cessar-fogo por Trump é certamente uma manobra para ganhar tempo para um ataque surpresa", disse Mahdi Mohammadi, em publicação nas redes sociais.
Ele classificou o bloqueio dos EUA como uma agressão militar contínua. "Chegou a hora de o Irã tomar a iniciativa", concluiu.
Bloqueio ao Estreito de Ormuz
Editoria de Arte/g1
Cessar-fogo foi prorrogado a poucas horas do fim
A decisão de Trump de estender o cessar-fogo ocorreu a poucas horas do fim da trégua de duas semanas anunciada em 8 de abril. Segundo Trump, a decisão atende ao pedido do primeiro-ministro do Paquistão, que tenta mediar o fim da guerra.
"Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado - o que não é inesperado - e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao país até que seus líderes e representantes consigam apresentar uma proposta unificada", escreveu o presidente dos EUA na Truth Social.
"Diante disso, determinei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e capazes, e, portanto, estenderei o cessar-fogo até que tal proposta seja apresentada e as negociações sejam concluídas, de uma forma ou de outra", acrescentou.
Era esperado que o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, partisse rumo ao Paquistão para participar da segunda rodada de conversa em Islamabad, marcada para esta quarta-feira (22).
No entanto, segundo fontes anônimas ouvidas pelo The New York Times, a falta de resposta das autoridades iranianas às propostas de negociação dos EUA levou Vance a suspender temporariamente a viagem.
Além de Vance, os enviados de Trump para o Oriente Médio, Jared Kushner e Steve Witkoff, foram vistos na Casa Branca pouco antes da publicação do presidente americano.
Na segunda-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores do Irã não havia deixado claro se o país participaria da rodada de negociações com os Estados Unidos, acusando Washington de não levar o diálogo a sério.
Petroleiros e navios de carga alinhados no Estreito de Ormuz em 11 de março de 2026, vistos de Khor Fakkan, Emirados Árabes Unidos.
AP/Altaf Qadri, Arquivo
Pesquisa aponta queda na aprovação de Trump
A taxa de aprovação de Donald Trump se manteve, nos últimos dias, no nível mais baixo de seu mandato, revelou um levantamento da Reuters/Ipsos realizado em meio à guerra com o Irã e a uma disputa com o Papa Leão.
A pesquisa de opinião pública de seis dias mostrou que 36% dos americanos aprovam o desempenho de Trump no cargo, valor inalterado em relação ao mês anterior.
Trump havia registrado sua maior taxa de aprovação no atual mandato - 47% - logo após tomar posse, em 20 de janeiro de 2025.
O presidente americano tem estado sob pressão desde que seu governo e Israel lançaram uma guerra contra o Irã em fevereiro, o que elevou drasticamente os preços da gasolina.
Cerca de 36% dos americanos aprovam os ataques militares dos EUA contra o Irã, comparado a 35% em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 10 e 12 de abril.
A pesquisa mais recente, com 4.557 adultos em todo o país, foi realizada online e possui margem de erro de 2 pontos percentuais.
O levantamento mostrou que muitos americanos, incluindo alguns membros do Partido Republicano de Trump, têm preocupações sobre o temperamento e a lucidez mental do presidente, após uma série de explosões agressivas.
* Com informações da agência de notícias Reuters
Fonte: G1
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