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Brasil desperdiça energia hidrelétrica equivalente a uma Jirau por ano

O Brasil desperdiça, todos os anos, energia hidrelétrica equivalente à produção da usina de Jirau, a quarta maior do país, com 3.750 megawatts (MW) de capacidade instalada, devido à falta de demanda no sistema elétrico....

Publicado em 20/04/2026 3 min de leitura
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O Brasil desperdiça, todos os anos, energia hidrelétrica equivalente à produção da usina de Jirau, a quarta maior do país, com 3.750 megawatts (MW) de capacidade instalada, devido à falta de demanda no sistema elétrico. A avaliação é do presidente da Jirau Energia, Edson Silva, em entrevista ao programa "Alta Voltagem", da CNN Infra.

Segundo o executivo, o desperdício ocorre porque o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), responsável pela gestão do Sistema Interligado Nacional), é obrigado a impor cortes na geração diante da baixa demanda por energia.

O desperdício de água que poderia gerar energia ocorre quando as hidrelétricas praticaram o chamado "vertimento turbinável", uma forma técnica de dizer que a usina está liberando água pelas turbinas sem gerar energia.

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"Todos os anos, o Brasil tem vertido em torno de 2,4 GW médios, essa energia é mais do que a produção de Jirau. Estamos falando de um desperdício de energia de mais de uma Jirau por ano", disse Silva.

No caso de Jirau, a situação é expressiva. A usina registrou vertimento turbinável de cerca de 300 megawatts (MW) médios, o equivalente a quase 17% de sua produção anual. Em 2025, a empresa viveu um cenário considerado contraditório. Em pleno verão amazônico (período em que a vazão dos rios na região Norte costuma ser mais baixa e cada metro cúbico de água ganha ainda mais relevância) a usina desperdiçou energia suficiente para abastecer mais de 2 milhões de residências.

Ao mesmo tempo, a companhia precisou recorrer ao mercado de curto prazo para comprar energia a preços mais elevados, a fim de cumprir contratos previamente firmados. Para Silva, a raiz do problema está na transformação do perfil de consumo de energia no Brasil. Ele aponta que subsídios à micro e minigeração distribuída (MMGD), como sistemas solares em telhados, têm deslocado a demanda que antes era atendida por grandes hidrelétricas.

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A mudança na matriz e no comportamento do consumo também tem impactado a operação do sistema elétrico. O próprio ONS já reconheceu a crescente dificuldade de coordenação do SIN diante da expansão de fontes intermitentes e descentralizadas.

Dados do operador indicam que, até 2029, apenas 45% da capacidade instalada do país estarão sob controle direto do órgão. O restante será composto majoritariamente por geração distribuída e fontes como solar e eólica, que têm produção variável.

Segundo o executivo, é preciso fazer ajustes no desenho de mercado e em mecanismos que incentivem o consumo em momentos de sobra de energia, além de formas de compensar as hidrelétricas pelo custo de operação e pelo papel de garantir estabilidade ao sistema.

 

Fonte: CNN

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