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Tadeu e Ana Paula seguem no BBB: existe maneira certa de viver o luto?

Tadeu Schmidt, 51, e Ana Paula Renault, 44, emocionaram o público nesta semana ao compartilharem uma dor em comum: o luto. O apresentador do BBB 26 perdeu, na última sexta-feira (17), o irmão, o ex-jogador de basquete Os...

Publicado em 20/04/2026 6 min de leitura
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Tadeu e Ana Paula seguem no BBB: existe maneira certa de viver o luto?
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Tadeu Schmidt, 51, e Ana Paula Renault, 44, emocionaram o público nesta semana ao compartilharem uma dor em comum: o luto. O apresentador do BBB 26 perdeu, na última sexta-feira (17), o irmão, o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt (1958-2026), enquanto a jornalista foi informada da morte do pai, o ex-deputado Gerardo Renault (1929-2026), antes da edição do programa do último domingo (19). Em ambos os casos, os comunicadores optaram por seguirem em seus respectivos papéis no reality show da TV Globo.

A decisão do jornalista de apresentar o programa e da sister de seguir na disputa por R$ 5,4 milhões acabou gerando debates nas redes sociais. Parte do público acredita que não teria condições de trabalhar ou de seguir confinada em um programa se lidasse com a perda de um ente querido. Outra parte acredita que a vida deve seguir, mesmo em meio à dor.

Para especialistas, o luto atinge as pessoas de formas distintas. "Há algo bastante interessante e paradoxal no luto. Sabemos que não existe um luto igual ao outro: as pessoas expressam a dor e a vivência da perda de formas muito diferentes", disse Andréa Cordoniz, psicóloga, especialista em luto, à CNN Brasil.

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A profissional avaliou que há uma expectativa da sociedade em relação à pessoa que perdeu alguém. "Existe uma ideia social de um comportamento 'padrão' esperado de alguém enlutado. Espera-se, por exemplo, que a pessoa chore; se não chora, julga-se que não está sentindo. Espera-se que vá ao velório e ao sepultamento; se não comparece, novamente se questiona a legitimidade do sentimento. Qualquer reação que fuja desse padrão tende a ser criticada", declarou a autora do livro "Mães e pais em luto - Como enfrentar a morte de um filho e reinventar a vida".

Para Andréa, é comum surgirem críticas, sobretudo quando a decisão não é considerada convencional. "No caso de decisões como a de Tadeu seguir no programa e a de Ana Paula permanecer no jogo, isso foge do que muitas pessoas consideram convencional. Por isso, é comum surgirem críticas. No entanto, do ponto de vista psicológico, muitas vezes, seguir adiante é justamente uma forma de homenagear a pessoa que faleceu".

A profissional avaliou que existe um termo na psicologia que representa o que Tadeu Schmidt fez ao trabalhar no dia da morte do irmão. "Chamamos isso de vínculo contínuo, a manutenção da relação com o ente querido por meio de ações que tenham significado para essa história. Trata-se de uma forma legítima e, muitas vezes, muito bonita de expressar amor e respeito por quem se foi, ainda que não corresponda às expectativas sociais mais comuns", declarou.

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Para Márcia Reis, professora de psicologia da Universidade Anhembi Morumbi, a individualidade do luto não funciona como uma régua para definir quem é sensível ou frio.

"Seguir trabalhando não significa ausência de sofrimento, frieza emocional ou negação da perda. Muitas vezes é uma tentativa de não se deixar desorganizar completamente diante da dor. Essas escolhas precisam ser compreendidas a partir da história, dos valores e das condições emocionais de cada indivíduo, e não a partir de expectativas sociais sobre como alguém deveria vivenciar o luto", ponderou ela, também à CNN Brasil.

Às vésperas da final do reality, Ana Paula Renault optou por seguir na disputa milionária do BBB 26 depois de ser informada da morte do pai. De acordo com Márcia Reis, postergar o luto exige cuidado, mas não significa que a pessoa pode adoecer mentalmente.

"O que pode afetar a saúde mental é quando o sofrimento não encontra, em nenhum momento, possibilidade de reconhecimento, expressão ou elaboração. Quando a dor é constantemente evitada ou silenciada, ela tende a reaparecer de maneira indireta, por meio de sintomas emocionais, físicos ou comportamentais ao longo do tempo. O impacto não está no adiamento em si, mas na ausência de espaços posteriores de elaboração do luto", pontuou a psicóloga.

A autora Andréa Cordoniz avaliou que estar sob os holofotes pode tornar a experiência de Ana Paula ainda mais desafiadora. "Não existe uma maneira certa de viver o luto. No entanto, o que pode complicar esse processo é a pessoa não se permitir vivenciar as emoções que surgem. Em alguns casos, por diferentes razões, a pessoa sente que precisa se mostrar forte e acaba reprimindo a dor, a tristeza e o sofrimento, sem conseguir expressar o que sente", avaliou.

Ela seguiu: "No caso da Ana Paula, um fator que pode dificultar significativamente a vivência do luto é a ausência do apoio de pessoas próximas, como familiares e amigos. O suporte afetivo é fundamental. E, quando a pessoa precisa desse apoio e não consegue acessá-lo, seja por não pedir, não permitir ou, como no caso dela, por não ter essa possibilidade, o processo pode se tornar mais complexo".

A profissional destacou que o momento atual pode provocar reflexões na jornalista. "Há um aspecto incontornável: mesmo que ela tivesse facilidade para expressar o luto de forma natural, como fazê-lo sabendo que está sendo observada e julgada por milhares de pessoas? Essa exposição torna o processo ainda mais desafiador. Vivenciar o luto nessas condições é, sem dúvida, uma experiência emocionalmente muito exigente", declarou.

Tadeu Schmidt se emocionou ao falar com finalistas do BBB 26 sobre perda do irmão - Reprodução/TV Globo
Um ponto levantado pela professora Márcia Reis, por sua vez, tem relação com o machismo na sociedade, que muitas vezes espera que a mulher desmorone em situações desafiadoras. "Esse caso também revela como o luto é atravessado por expectativas de gênero. Em uma sociedade ainda marcada pelo machismo, homens que seguem trabalhando após uma perda costumam ser vistos como fortes, responsáveis e admirados", iniciou.

"Já quando uma mulher faz a mesma escolha, como no caso de Ana Paula, ela frequentemente é julgada como fria, insensível ou desumana. Esse olhar desconsidera a complexidade do luto e ignora que ela está ali cumprindo um papel profissional e um compromisso assumido consigo mesma e com sua história. O sofrimento feminino continua sendo mais vigiado e moralizado, enquanto o masculino é legitimado. Questionar esse julgamento é fundamental para que possamos compreender o luto com mais humanidade, menos estereótipos e mais respeito às diferenças."

A final do BBB 26 será exibida nesta terça-feira (21). Ana Paula Renault disputa o prêmio com seus aliados do programa, Juliano Floss e Milena.

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Fonte: CNN

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