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Os dados mais recentes do Atlas da Violência 2026 indicam continuidade do crescimento dos registros de violência contra pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil.
Divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em parceria com o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), o levantamento mostra aumento das notificações entre diferentes grupos e aponta que os indicadores seguem trajetória de alta ao longo da série histórica analisada.
Entre pessoas homossexuais e bissexuais, foram registrados 10.250 casos de violência em 2024, número 5,5% superior ao observado no ano anterior. Na comparação com o início da série, o crescimento acumulado chegou a 212,7%, indicando expansão expressiva das notificações ao longo da última década.
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O Atlas também identificou aumento entre pessoas transexuais e travestis. Em 2024, foram contabilizados 5.575 registros de violência contra esse grupo, crescimento de 2,6% na comparação anual.
Embora o crescimento tenha sido observado em diferentes grupos, o Atlas destaca que os padrões de vitimização não são homogêneos dentro da população LGBTQIAPN+. O comportamento dos indicadores varia conforme orientação sexual, identidade de gênero, faixa etária e acesso aos mecanismos de denúncia e atendimento, o que exige leitura cautelosa dos números agregados.
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Outro ponto destacado pelo Atlas é que os registros representam apenas os episódios que chegaram ao sistema de saúde. Por isso, os autores alertam que os números não correspondem necessariamente à totalidade das situações de violência vividas pela população LGBTQIAPN+, grupo que historicamente enfrenta barreiras para denúncia e acesso institucional.
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Crescimento dos registros exige cautela na interpretação, diz Atlas
Os pesquisadores destacam que o aumento das notificações não significa, necessariamente, que a violência tenha crescido na mesma proporção. Segundo o relatório, fatores como ampliação da cobertura dos sistemas de informação, fortalecimento da rede de atendimento e aumento do número de pessoas que passaram a se identificar como integrantes da população LGBTQIAPN+ podem influenciar os resultados observados.
Ainda assim, o Atlas afirma que a dimensão do crescimento registrado nos últimos anos sugere que o fenômeno não pode ser explicado apenas por melhorias estatísticas e exige atenção para possíveis mudanças reais no padrão da violência direcionada a essa população.
Violência se concentra entre pessoas mais jovens
O relatório também aponta concentração dos casos nas faixas etárias mais jovens. Entre pessoas dissidentes de gênero, os maiores percentuais de vitimização aparecem entre 15 e 29 anos, permanecendo elevados até o início da vida adulta. Entre homens transexuais, a incidência é ainda mais concentrada entre 15 e 24 anos.
Segundo o relatório, a concentração da violência entre pessoas mais jovens pode indicar um período de maior exposição a conflitos familiares, escolares e sociais relacionados à orientação sexual e à identidade de gênero. Os autores observam que processos de discriminação tendem a ganhar intensidade justamente em etapas de afirmação identitária e inserção social.
Os autores destacam ainda que os dados disponíveis possuem limitações e podem não captar integralmente a violência sofrida pela população LGBTQIAPN+, especialmente entre crianças menores de 10 anos, grupo que não aparece de forma específica nos registros analisados.
Não obstante, na avaliação dos pesquisadores, acompanhar esses indicadores ao longo do tempo permite identificar mudanças nos padrões de violência e orientar políticas públicas mais direcionadas. O relatório defende que ampliar a capacidade de registro e qualificar os dados produzidos é parte central do enfrentamento da violência contra grupos historicamente vulnerabilizados.
Atlas da Violência
O Atlas da Violência 2026 marca uma década da parceria entre o Ipea (Instituto de Pesquisa Ecônomia Aplicada) e o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) no monitoramento da letalidade no Brasil.
O estudo foi elaborado a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS).
Embora os índices oficiais apontem uma queda histórica da violência letal, a pesquisa aponta que houve um aumento crítico na subnotificação dos homicídios.
Fonte: CNN
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