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Na última segunda-feira (25), no Parque São Jorge, o Conselho Deliberativo do Corinthians determinou a expulsão de Andrés Sanchez do quadro de sócios do clube. O ex-presidente foi investigado internamente por gastos pessoais com o cartão corporativo do Timão durante sua última gestão, entre 2018 e 2021.
A votação foi conduzida de forma tranquila, mas teve alguns momentos de tensão.
Veja abaixo os bastidores do encontro entre os conselheiros na sede social do Alvinegro.
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Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, tentou acompanhar a votação no teatro do Parque São Jorge, mas foi convidado a se retirar por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo.
No edital de convocação, Pantaleão definiu que apenas conselheiros poderiam estar presentes no teatro. Diretores estatutários, membros da diretoria executiva, jornalistas e torcedores, por exemplo, não poderiam comparecer.
Armando discordou frontalmente da decisão de Pantaleão e expôs sua insatisfação em contato com a imprensa, pouco tempo depois de ser "expulso".
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"Na convocação, havia um item proibindo a presença da diretoria e fui questioná-lo onde isso estava no estatuto. Ele proibiu nossa presença. Conselheiros de oposição concordaram com o posicionamento dele e eu me retirei da reunião. Como vice-presidente, representando o Corinthians aqui, pois nosso presidente está em viagem para o Rio de Janeiro, para um encontro na CBF, acho um desrespeito com a instituição, com a história do Corinthians", disse Armando.
Logo após deixar o teatro, Armando se reuniu com Pedro Soares, diretor jurídico do Corinthians, e William Tapara de Oliveira, conhecido como Índio, diretor-adjunto jurídico.
"O Pantaleão conhece pouco da história do clube. Nunca na história do Corinthians um presidente, vice-presidente foi proibido de participar de uma reunião do Conselho Deliberativo. O resultado dessa reunião reflete na diretoria, pois ela é executiva, ela executa a decisão do Conselho. A diretoria executiva colocou os colaboradores à disposição para que tivéssemos uma reunião tranquila, com segurança. O presidente tomou uma atitude dessa, só tenho a lamentar. Espero que nas próximas vezes ele estude melhor o estatuto e possa tomar medidas corretas em respeito ao Corinthians", completou o vice-presidente.
Pantaleão, questionado sobre as falas de Armando, evitou entrar em polêmica e foi direto.
"Em relação ao Armando, não vou comentar. É a opinião dele, eu respeito. Então fica dessa forma", disse.
Manifestação de Mário Gobbi
Mário Gobbi, ex-presidente do Corinthians e conselheiro vitalício, questionou o fato de Pantaleão não colocar a suspensão de Andrés como uma possibilidade. Nesse cenário, ele não seria expulso, mas ficaria impedido de frequentar o clube por um período determinado.
Conhecido membro da chapa Renovação & Transparência, Gobbi também questionou o motivo de os votos serem abertos.
Assim que Gobbi se manifestou, o conselheiro trienal Marcos Ribeiro Caldeirinha rebateu, e um pequeno bate-boca foi formado.
Pantaleão comentou o ocorrido.
"Não houve nenhum levantamento específico sobre isso (pedido de suspensão). Mario Gobbi no início questionou por que o parecer da Comissão de Ética não apresentava esse tipo de alternativa. Foi explicado que o parecer da Comissão de Ética é opinativo para uma determinada punição a partir do momento em que apura aquilo que constatou dentro das provas produzidas no processo. Mas ninguém levantou especificamente para ser debatida essa pena de suspensão", disse o presidente do Conselho Deliberativo.
Pantaleão poderia presidir a votação?
Em determinado momento, o conselheiro trienal José Luis Cecílio questionou o fato de Pantaleão presidir o órgão durante a votação, já que ele, como presidente da Comissão de Ética, foi o relator do caso que investigou o uso do cartão corporativo para gastos pessoais na gestão de Andrés Sanchez.
Imaginava-se que Pantaleão poderia transferir essa responsabilidade para um dos secretários-gerais do Conselho Deliberativo. Porém, Maria Angela Ocampos (primeira secretária) não compareceu. Denis Piovesan (segundo secretário) não foi acionado.
Ao responder Cecílio, Pantaleão negou ser suspeito para presidir o órgão durante a votação. Ele discordou do apontamento, já que não votaria.
Trienais condicionam votação
A votação foi equilibrada entre os conselheiros vitalícios. Ao todo, 16 foram favoráveis à expulsão, enquanto 14 se manifestaram de forma contrária.
A diferença se deu na votação entre os 137 trienais que compareceram ao Parque São Jorge.
No total, dos 167 conselheiros presentes, 112 votaram pela expulsão de Andrés, enquanto 49 foram contrários. Seis se abstiveram.
Fiel em festa
Os torcedores do lado de fora do Parque São Jorge celebraram a expulsão de Andrés antes mesmo da divulgação dos números finais. Os corintianos presentes, que entoaram cânticos contra o ex-presidente durante a votação, soltaram rojões após o resultado final.
Em determinado momento, torcedores espalharam sabão no entorno do Parque São Jorge, em uma espécie de "lavagem" no clube.
Cerca de uma hora depois da votação, vários torcedores ainda estavam na rua que dá acesso ao clube, comendo churrasco, bebendo cerveja e ouvindo música.
Próximos passos
Pessoas ligadas a Andrés não descartam uma tentativa de judicialização da decisão do Conselho Deliberativo. Segundo a Central do Timão, a defesa do ex-conselheiro tentou suspender a votação na Justiça antes mesmo de ela ocorrer, mas os pedidos foram indeferidos.
"É um direito da defesa. Não temos controle sobre isso. Pode ocorrer, faz parte do processo democrático. É até bom que eventualmente aconteça para que se dê mais transparência", comentou Pantaleão.
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Fonte: CNN
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