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A Bolívia atravessa um período de intensa turbulência política e social. Já são três semanas de protestos contra o governo de Rodrigo Paz, com manifestações que se intensificaram ao longo do último fim de semana e que devem continuar nos próximos dias.
As reivindicações dos manifestantes incluem aumento de salários, oposição a reformas anunciadas pelo governo e protestos contra a escassez e a má qualidade do combustível. O problema com o abastecimento de gasolina, que se arrasta desde o governo anterior, permanece sem solução.
Rodrigo Paz assumiu o poder prometendo resolver as longas filas nos postos de combustíveis, mas a situação não foi contornada. Os consumidores questionam tanto a qualidade do combustível disponível quanto a persistência das filas, agravadas ainda mais pelos próprios protestos, que dificultam a distribuição.
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O Tribunal da Relação de Lisboa determinou a liberação imediata do integrante do grupo criminoso PCC (Primeiro Comando...O governo dos Estados Unidos anunciou o envio de alimentos emergenciais e apoio logístico à Bolívia em meio à crise e vem falando em uma tentativa de desestabilização do governo de Rodrigo Paz. O Secretario de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA não tolerarão uma tentativa de tirar Paz do governo.
É diante desse cenário, de insatisfação popular e declarações norte-americanas, que entra em cena o ex-presidente boliviano Evo Morales. Para ele, essa "tentativa de intromissão" seria um sinal de que Paz está fracassando.
Evo Morales afirmou que Rodrigo Paz enfrenta dois caminhos possíveis diante da crise. Segundo ele, uma das opções seria a militarização das ruas, que classificou como uma "decisão suicida". A outra seria a convocação de eleições nos próximos 90 dias. Na na avaliação de Morales, a medida seria necessária para evitar conflitos com mortos e feridos.
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Bloqueios e escassez
Os bloqueios de estradas, método amplamente utilizado pelos manifestantes em diversas regiões do país, têm impedido o transporte de alimentos e remédios, gerando escassez em vários estados bolivianos. Em La Paz, o governo precisou realizar distribuição de carne e frango à população.
O governo também afirmou que ao menos três pessoas morreram em decorrência da dificuldade de passagem de ambulâncias pelos bloqueios.
No último sábado (23), o governo de Rodrigo Paz tentou abrir um corredor humanitário entre La Paz e Oruro, mas afirmou que os policiais e militares enviados para desobstruir a estrada foram vítimas de uma emboscada.
O episódio se somou a uma série de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, com uso de gás lacrimogêneo pela polícia e tentativas de manifestantes de se aproximar do palácio presidencial em La Paz.
Os protestos reúnem indígenas, sindicalistas, mineradores e produtores de coca, muitos dos quais exigem a renúncia de Rodrigo Paz, que governa há apenas seis meses. O governo anunciou uma reforma ministerial em resposta às pressões, mas reafirmou que Paz não pretende deixar o cargo.
Paz declarou disposição para o diálogo, embora os manifestantes se mostrem pouco receptivos à negociação. Com o apoio de Evo Morales, os protestos seguem organizados e a pressão nas ruas deve continuar nos próximos dias.
Evo Morales foi presidente da Bolívia por três mandatos consecutivos, entre 2006 e 2019. Ele renunciou ao cargo após denúncias de fraude eleitoral em sua segunda reeleição. Já Rodrigo Paz foi eleito em outubro de 2025, após vencer Jorge Tuto Quiroga. A vitória dele encerrou quase 20 anos de governos de esquerda no país.
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Fonte: CNN
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