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Sampa Trem Das Onze
MPB4
[(intro) ]F Fm6
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
D7 Dm7 G7
Da deselegância discreta de tuas meninas
Gm7 C7
Ainda não havia para mim Rita Lee
Tua mais completa tradução
Alguma, alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Contesto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa
Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Gm Gm6 A7 Dm
Moro em Jaçanã,
Se eu perder esse trem
Que sai agora as onze horas
A7 Em7 A7 D
Só amanhã de manhã.
Além disso mulher
Tem outra coisa,
Bb7 Bm7
Minha mãe não dorme
E7 A7
Enquanto eu não chegar,
Am7 D7 Gm7 A7 Dm
É que eu sou filho único
Bbm7 A7 D
Tenho minha casa para olhar